Percurso do Rio Jardim no Baixo Vouga Lagunar

O Percurso do Rio Jardim é um percurso bastante pequeno mas ficou claro que podemos lá passar o dia todo! Este é um percurso que fica dentro do semi-circulo formado pelo Percurso do Bocage sem deixar de ter características próprias. Aos arrozais, onde se nota perfeitamente o pouco uso de pesticidas, segue-se uma torre de observação para dar uso aos binóculos e máquinas fotográficas adequadas.

Campos verdejantes

Campos verdejantes

A este segue-se um corredor verde ladeado por braços de água, campos, caniçais e árvores. Um verdadeiro festival de cores e formas. Quanto à lista de espécies das placas informativas temos: cegonha-branca, tentilhão, salgueiro-branco, milhafre-preto, pardal, peneireiro; um conjunto de insectos composto por: borboleta malhadinha, borboleta-pequena-da-couve, traça-de-cinco-pintas, libélula-ibérica-de-cauda-azul, cavalinho-do-diabo, borboleta-cauda-de-andorinha; junto à torre: caniço, rouxinol-pequeno-dos-caniços, escrevedeira-dos-caniços, acácia-de-espigas, erva-pinheirinha, lagostim-vermelho-de-Lousiana (espéce exótica prejudicial); nos corredores: gaio, pisco-de-peito-ruivo, salgueiro-preto, chapim-carvoeiro, chapim-rabilongo, amieiro, junco-marítimo, doninha, lírio-amarelo-dos-pântanos, cobra-de-água-viperina, rato-de-água, garça-vermelha, tábua-larga, chapim-azul, sapo-parteiro, gineta, pardal-montês, lagarto-de-água, poupa, verdilhão, silva, amieiro, toutinegra-dos-valados e lugre. Mesmo que só se consiga ver algumas destas espécies numa visita normal, é preciso mais motivos para visitar esta zona?

Rã

Esta altura do ano é ainda rica em pequenas rãs que saltam de entre a erva à medida que caminhamos. São muitas, talvez escondidas dos predadores, não fossem elas rápidas a saltar e teríamos que ter cuidado para não as pisar.

Ver localização do Percurso do Rio Jardim

Percurso do Bocage no Baixo Vouga Lagunar

Já à algum tempo que a curiosidade sobre os restantes trilhos pedestres de Salréu me fazia olhar pela janela do Comboio cada vez que passo para aqueles lados. Depois de provar o Percurso de Salréu, o mais comprido e emblemático, chegou finalmente a altura que os meus pés não se contiveram e foram visitar o Percurso do Bocage e Percurso do Rio Jardim, percursos que se repartem por Salréu e Canelas. Um com perto de 4km e outro com 2kms percebe-se logo que são percursos para fazer devagar, observar muito bem o que nos rodeia e por que não, sair dos caminhos marcados para explorar outras zonas. Afinal de contas a zona é totalmente plana. Não sendo circulares é facil saltar de uns para os outros e todos começam e acabam num caminho paralelo à linha de comboio.

Vista

Vista

Comecei pelo percurso do Bocage. Indo de carro e deixando depois da ponte é necessário percorrer cerca de 1km e cruzar com outros trilhos para encontrar o percurso do Bocage, sempre com a serra do nosso lado direito, lá bem longe. Depois é seguir pelos largos, planos e bons caminhos. Tão bons que podemos ter o azar de encontrar veículos automóveis. Na verdade foram duas carrinhas se não estou em erro. Provavelmente das pessoas que trabalham nestes campos por isso não é de condenar. Este local tem características muito próprias de tal maneira que forma um habitat único em Portugal.

Bocage

Bocage

O ambiente Bocage é acima de tudo caracterizado por campos de cultivo separados por sebes vivas, imagem tão característica do romantismo que lhe é associado, portanto é precisamente esta paisagem que encontramos. Não são poucas as vezes que nos penduramos num portão qualquer feito de ramos e o olhar se perde. O olhar e o pensamento. Até nos esquecemos da máquina fotográfica.
São muitas as espécies animais e vegetais que podemos encontrar. Claro que umas são bem mais visíveis que outras mas consta que por lá existem guarda-rios, nenúfares, caniço, galinha-de-água, lagarto-de-água, lontra, morcego-hortelão, garça-real, fuinha-dos-juncos, raposa, águia-d’asa-redonda, pato-real, gado bovino de raça marinhoa (autóctone), pintassilgo, gavião, funcho, mocho-galego, texugo, coruja-do-mato, pica-pau-malhado, pilriteiro, rola-brava, carvalho-roble e pega. Uma lista riquíssima portanto!
Fazendo o caminho no sentido que o fiz, de norte para sul, acabamos junto a uma ponte ferroviária, um pouco abaixo da estação de Canelas. Subindo para norte paralelamente à linha cedo encontramos o Percurso do Rio Jardim. Antes destes existe ainda um braço de água com uma pequena lagoa onde, nesta altura do ano, os peixes ficaram encurralados e as aves aproveitam para se banquetear. Com uma objectiva adequada e/ou binóculos é de todo aconselhável sentar-se à sombra de uma árvore e esperar! Não tarda temos imagens magnificas.

Ver localização do Percurso do Bocage

Aves a alimentar-se

Aves a alimentar-se

PR2 TND – Rota do Linho – Percursos Pedestres do Caramulo

Castelões

Castelões

Este é o segundo trilho marcado que fiz nos últimos dias passados no Caramulo. Com um nível de dificuldade apontado para médio alto, um tema tradicional e uma encosta da Serra do Caramulo voltada para a Serra da Estrela, este é um trilho que promete logo à partida.
Para encontrar a Rota do Linho preciso procurar a aldeia de Castelões, relativamente perto de Campo de besteiros. Depois é preciso subir até ao Santuário do Coração de Maria. Na verdade optei por deixar o carro mais em baixo e fazer a pé a subida até este lugar. O dia bastante quente e as escadarias até à Igreja avisaram onde nos íamos meter. Na verdade, a opção de fazer o trilho pela tarde não foi lá muito inteligente.
Siga para a frente, subir mais um bocado. Esta primeira parte do trilho não tem muito que contar. Os animais esses eram difíceis de avistar por causa da hora e ao calor. Caminhamos por estradões enfadonhos, ora a subir, ora a descer (é preciso força nas pernas para descer) e muitas vezes cheios de pó e areia que se mete por todo o lado. São caminhos abertos recentemente ou reabertos. Pessoalmente prefiro os caminhos tradicionais. No entanto a paisagem florestal têm pontos muito interessantes e quem fizer esta parte pela manhã munido de equipamento apropriado com com certeza conseguirá observar muito bicho!

Rã

Depois de tanto pó, do sobe e desce chegamos a uma pequena represa. Tempo para refrescar os pés, tirar umas fotos aos animais que se conseguirem avistar se bem que com máquinas compactas pode ser uma tarefa complicada. Existe uma espécie de libelinha (ou assim eu penso), toda azul, que tem tanto de bonita como de irrequieta e obter uma imagem da mesma sem equipamento apropriado não é fácil. Mas, pelo que me apercebo da sua raridade, observa-lá já é um privilégio.
A aldeia de Múceres espera por nós e nela a sua escola primária que acolhe o Centro de Laboração do Linho. Foi preciso andar às voltas da escola e bater às portas, mas fomos bem recebidos. Lá podemos observar os mecanismos de um tear tradicional enquanto é fabricada uma peça de linho ao vivo. As artesãs, apesar de meio desconcertadas com a visita, lá explicaram e mostraram o processo que esta planta sofre até nos servir. O que fazem está à venda, não gosto dos artigos mas é o meu gosto, a visita vale a pena.
Ora seguindo caminho, fazendo uma visita à Capela da Senhora do Livramento, que para não variar muito estava fechada foi altura do acontecimento insólito do dia. Como a caminhada se alongava apetecia trincar alguma coisa. Nestas aldeias nunca existe muito mas acabou-se por comprar umas bolachas num mini mercado. À primeira trincadela estranhou-se a textura das bolachas. Foi então que se reparou que tinham passado a data de validade à um ano! Fantástico! Lá fui trocar aquilo e o homem diz que não tinha reparado! Parece que além das bolachas também os casarões belos destas aldeias passaram da validade. A cair aos bocados, são memórias de um tempo em que a prosperidade morava por estas bandas.

Ribeira de Múceres

Ribeira de Múceres

Os moinhos estavam à espera mas também eles estão ao abandono, degradados e cheios de vegetação. No entanto criam uma paisagem bonita. Seria mais bonita levasse a ribeira mais água! Mesmo assim existe um ponto que é propicio a um pequeno banho. Nota-se perfeitamente a força da água no Inverno pelo que me ocorre que esta não é a melhor altura para fazer este caminho. No entanto este tipo de informação não é dado ao caminhante e o que aparece sempre nos panfletos é a indicação de que o caminho é para se fazer durante todo o ano.
Depois é passar por Conguedo e Costa da Várzea, ir observando a paisagem, enveredar pelo caminho de regresso. Por esta altura estamos a passar pelos campos de produção de linho. Infelizmente já está cortado e os campos limpos. Mais uma informação que não é dada ao caminhante.
Nota final para a última subida, digna desse nome! É portanto um percurso pedestre que se recomenda mas a fazer em época de mais água.

Localização do PR2-TND-Rota do Linho
PR2 Rota do Linho

PR3 TND – Rota das Cruzes – Percursos Pedestres do Caramulo

Capela de São Bartolomeu

Capela de São Bartolomeu

Fugindo à confusão do litoral, refugiei-me na serra do Caramulo durante uns dias e este foi um dos percursos que fiz.
O PR3 TND – Rota das Cruzes é um percurso pedestre que começa na vila do Caramulo, que se mostrou bastante calma, talvez por estarmos no Verão.
Atravessamos os jardins da vila em direcção às aldeias. Acabamos por encontrar as primeiras cruzes mais cedo do que pensamos, não sem antes sermos convidados a visitar a Igreja Matriz e a capela de S. Sebastião em Guardão. O caminho segue rodeado por uma série de Cruzeiros em direcção a Janardo.
Depois da entrada em caminhos mais agrícolas é tempo de reparar em pequenos pilares com os nomes das freguesias que participam na festa das Cruzes. Alguns podem estar um pouco tapados pela vegetação. Sem dar por isso estamos aqui estamos na capela de S. Bartolomeu e castro, pequeno monumento de interesse histórico gigantesco.

Festa das Cruzes

Ainda hoje, em quinta feira de Ascensão, na freguesia de Guardão, se dá continuidade à celebração da multi-secular Festa das Cruzes, cuja origem o tempo logrou em apagar. conta a tradição de a celebração de tal evento está relacionada com a expulsão dos mouros deste agreste território. Habitando este povo invasor numa das vertentes da serra do Caramulo, no lugar hoje ocupado pela capela de São Bartolomeu, constantemente fazia insvestidas às vizinhas populações cristãs, saqueando e destruindo os seus bens. Sabendo das atrocidades de que eram vitimas os seus irmãos na fé, vieram em seu auxilio os habitantes de Santiago, Santa Eulália e Castelões, armados de bestas, machados e forquilhas. A batalha foi de tal forma dura que o povo cristão se viu em apuros, tendo mesmo que implorar a intervenção divina. Saindo vitorioso, dirigiu-se em procissão à igreja matriz do Guardão, onde foi recebido num abraço de eterna gratidão. Ficou então a promessa de todos os anos irem ao local em romaria de acção de graças.
Não passa esta história de uma fantasia popular que, à semelhança de muitas outras, o povo criou e a Igreja, impotente perante a intransigência do povo tradicionalista, teve necessidade de cristanizar, levantando capelas perto de castros para que não se fizessem procissões a sítios pagãos.
A Festa das Cruzes está simplesmente ligada à antiga igreja matriz do Guardão, à qual acorriam várias freguesias por não haver outra por perto. Como boas filhas, as freguesias dependentes, em dia de Ascensão, levando as suas cruzes iam ao encontro daquela que era a sua mãe. No inicio participavam nesta festa cerca de doze freguesias; porém, hoje em dia, não vêm mais do que três.

Vista de Carvalhinho

Vista de Carvalhinho

De seguida descemos até ao rio Xudruro, atravessando a pequena ponte romana para voltar a subir até ao Carvalhinho, uma pequena aldeia tipicamente serrana. Estes são caminhos estreitos, agradáveis mas com os quais se deve ter algum cuidado devido aos desníveis das encostas.
Uma paragem para observar as vistas proporcionadas pelo espaço da capelinha e continuamos a subir até entrarmos novamente nos caminhos da serra.
Daqui até chegarmos ao Caramulo encontramos caminhos diferentes, sejam compostos por vegetação rasteira de montanha, sejam terrenos agrícolas cada um com um encanto próprio e acima de tudo muito bonitos, salpicados pelas localidades anteriores à vila. Num destes caminhos, entre os carvalhos, encontrei uma pista de downhill bastante simpática!
Já na vila, pode-se aproveitar para visitar o museu, coisa que não fiz desta vez.
Mais uma caminhada na Serra do Caramulo, bastante divertida, bonita e acessível que me faz gostar cada vez mais de pedestrianismo.

Localização do PR3 – Rota das Cruzes
Ficha técnica do PR3 TND – Rota das Cruzes

PR3/FF – Rota da Boa Viagem – Figueira da Foz

Praias Murtinheira

Praias Murtinheira

Comecei esta caminhada de pequena rota no miradouro chamado de Bandeira, ponto de onde se têm uma vista de um pedacinho do pais em dias limpos, desde a praia até à serra. Como esta é uma altura de turistas de salto alto não me demorei muito por aqui até porque não seria a primeira visita ao local. Segui em direcção à capela de St. Amaro, por estrada alcatroada, o que estava a começar a chatear devido à quantidade de automóveis. No entanto os meus receios desapareceram quando finalmente entrei na mata, descendo a encosta maioritariamente por estradão em direcção ao farol do Cabo Mondego, que nos acompanha durante uma boa parte do percurso. Notou-se imediatamente um problema do percurso: falta de marcações antes dos cruzamentos o que faz com que muitas vezes se tenha que andar nos dois sentidos à procura do caminho certo. Entre descidas acentuadas de pedra solta, paisagens como só a serra junto ao mar oferece e a brisa refrescante chega-se à primeira ferida maior da serra.

Fossil

Fossil

A extracção de cal pela Cimpor comeu uma grande parte da serra. Os enormes buracos cinzentos, além de comerem a paisagem, destroem o legado geológico que a serra possui. De facto não é muito difícil encontrar pequenos fósseis mesmo debaixo dos nossos pés. Se assim continuarem as escavações, este é um percurso e uma serra condenados!!
Mais uns passos e chega uma das partes mais interessantes do percurso. O estradão enfadonho dá lugar a um pequeno carreiro entre pedra e pinheiros com vistas soberbas sobre as encostas, mar e praia. Este carreiro leva-nos a descer até à localidade. E depois é que a porca troce o rabo. Esta parte do percurso é absolutamente detestável. A menos que se queira fazer um desvio para um banho no mar, era de todo aconselhável evitar passar por uma localidade que nada mais tem do que moradias de férias, sinais claros de luxo, falta de respeito pela natureza e mais umas coisas feias que não vou escrever aqui.
Depois do pequeno pesadelo de alcatrão começamos outra parte interessante do percurso. A subida da serra até ao miradouro dá-se numa primeira parte por um estradão largo e depois, para minha grande satisfação, por mais um caminho íngreme de pedra, uma espécie de degraus, direitinho ao miradouro onde cheguei com os cerca de 12kms percorridos.
Penso que é um percurso interessante para quem se quiser demorar mais um pouco, com binóculos. Mas por causa da destruição da serra, por causa do muito estradão e por causa do alcatrão não é dos primeiros que recomendo.

Localização do PR3 – Rota da Boa Viagem

PR3 – Entre a Ria e a Floresta – Ílhavo

Entre a Ria e a Floresta

Entre a Ria e a Floresta

Algo correu muito mal nesta caminhada. Fui completamente iludido com a facilidade do percurso por ser completamente plano e o facto é que me perdi um pouco depois de abandonar as margens da Ria e avançar para o meio do pinhal. Ia com a cabeça no ar, descontraído por saber que se falha-se algum sinal sabia ir ter ao inicio a acabei por falhar mesmo ou pelo menos assim julgo. Um mistério a resolver mais tarde.
De qualquer das formas fica a nota para esta caminhada. O percurso começa em frente ao café Bruxa, onde se pode tomar um café com uma bela vista e segue pelo estradão paralelo à Ria de Aveiro, pelo canal de Mira. A parte da Ria é bonita quanto baste. Se o dia estiver com um pouco de nevoeiro então melhor. Não foi o caso mas já por lá passei nessas condições e é realmente um cenário diferente. Podemos observar fauna e flora próprias deste meio salubre e quem quiser apanhar passarada na objectiva tem por onde se entreter. Como também uso este caminho para a bicicleta, noto à algum tempo uma alteração, a meu ver negativa, neste caminho. Existem muitos terrenos privados e os proprietários vão transformando a pouco e pouco esses terrenos em micro – quintas. Alguns metros quadrados com vegetação e uma mesa para o almoço. Depois vedam o acesso. Se do lado da povoação já é piroso quanto baste, o pior é quando isso acontece do lado da Ria impedindo o acesso à margem e estragando o panorama. Ao menos que fosse realmente uma quinta!

Lixo na Ria

Lixo na Ria

Assim que se afasta das margens em direcção à colónia agrícola da Gafanha, começo a deixar de achar muita piada, pelo menos até entrar no pinhal mas é um mal necessário para ter acesso à floresta. Também menos positivo é a quantidade de lixo depositada nas margens da Ria. Quanto ao resto não me vou pronunciar. Apesar de ter caminhado pela floresta não foi pelo sitio certo e não fiquei com boa impressão. Quando passar no caminho certo posso escrever.
Não consegui encontrar online o panfleto do percurso mas fica a ligação para o blog da HERA, um dos parceiros do projecto.

Localização do PR3 – Entre a Ria e a Floresta

PR4 – Rota dos Caleiros – Percursos Pedestres da Serra do Caramulo

Quando faço alguma espécie de pausa do dia a dia tento fugir dos destinos normais e enveredar por actividades que me façam realmente bem. Tive a sorte de conseguir emprestada uma pequena mas simpática casinha de pedra na Serra do Caramulo. Já tinha decidido em casa que o percurso a ser feito iria ser o PR4 Rota dos Caleiros, até por uma questão de proximidade ao sitio onde fiquei.
O que é um caleiro? Bem, se não estou em erro é um canal para levar água aos locais onde ela seja precisa. Hoje em dia substituídos por tubos, constroem-se caleiros em metal para apanhar as chuvas dos telhados.

Nuvens nos vales do Caramulo

Nuvens nos vales do Caramulo

A perguica e a estrada que ainda tinha que se fazer de carro fez com que a caminhada só tivesse inicio para lá das 9 da manhã, não no local habitual, a base do Caramulinho, ponto mais alto com sensivelmente 1075 metros, mas um pouco lá mais para a frente, num largo da eólica, para fugir ao pessoal de salto alto que vai visitar o Caramulinho. Aliás, desagrada-me bastante que existam estradas alcatroadas até estes sítios. Apesar da hora o dia apresentava-se nublado, as nuvens engoliam os cumes e os vales tornando a paisagem fresca e inspiradora.
Também fiz o percurso ao contrário do predefinido, ou seja, afastando-me do Caramulinho em direcção a Cadraço. Os trilhos antigos em pedra estão presentes em grande parte do percurso e levam-me a imaginar como seria (ainda mais) difícil a vida de outros tempos por estas paragens.
A pedra nua pode ser motivo de divertimento. Muitas vezes vejo-me parado a discutir com o que é que se parece aquele monte de pedras esculpido pela erosão ao longo dos milhares de anos. Uma pessoa, um sapo, um dragão, enfim. Esta beleza da pedra não se pode explicar. É preciso estar lá, respirar o ar puro, sentir a paz, o silêncio para perceber de que se fala.
Entretanto chegado a Pedrogão vi algo que não sei se me deixa ou não um pouco transtornado. Já se sabe que apesar da proximidade de vilas e cidades estas aldeias estão um pouco esquecidas. É normal ver garotos de botas de trabalho, muitos possivelmente guardam rebanhos. Não tem nada de mal, irão ser bem mais saudáveis que os garotos da cidade, pelo menos teoricamente. Bem, já me estou a esticar, a imagem que queria transmitir é: um desses garotos a ir ao correio e vir para casa com um Laguna à porta. Algo está mal nesta paisagem.

Vista da capela de Jueus

Vista da capela de Jueus

Entre pedra (note-se a grande pedra em equilíbrio próximo de Pedrogão, capelinhas, animais (domésticos e não domésticos se tivermos sorte), alminhas ou pelo menos o que eu penso que sejam alminhas chegamos a Jueus e da sua capela, além do interesse histórico, temos um ponto de vista magnifico para o vale onde aliás se podem ver restos de uma outra povoação de nome Carvalhal onde passa um caminho de pedra que serpenteia encosta abaixo.
Por esta zona também se podem observar moinhos. A água é uma presença constante, transparente e barulhenta mais um elemento da pureza da montanha. Novamente as casas ficam para trás e daqui até ao Caramulinho predominam as formações rochosas e quase não se dá pela estrada alcatroda que se dirige para Malhapão de Cima. O trilho/estradão que liga esta estrada ao Caramulinho é particularmente rochoso e chegados ao estradão existe uma mistura de paisagem rochosa com pastagens para o gado. Este pequena parte já a tinha feito de bicicleta na subida ao Caramulinho e verdade seja dita, andei todos os 8kms do percurso a pensar em levar para ali a bicicleta. Por falar em bicicleta, mais uma vez encontrei fitas de eventos de BTT. Felizmente ainda não existe muito lixo nesta serra e é triste que o que seja encontrado no percurso tenha exactamente a ver com uma actividade de contacto com a natureza.
Chegado ao Caramulinho encontrei as já típicas personagens de salto alto e gel no cabelo a subir as escadas que levam aos 1075 metros de altitude mais coisa menos coisa. Curiosamente a fazer o percurso pedestre só encontrei um grupo de duas pessoas.
Concluindo é um percurso que se faz sem grande dificuldade, extremamente bonito e de uma paz impressionante. Querendo, pode-se demorar o dia todo quer saindo dos trilhos e explorando novos recantos quer parando para observar todos os pormenores da paisagem, flora e fauna.
O dia seguinte não foi muito animado: frio chuva e neve não me puseram à vontade para explorar mais um bocadinho. Sou fraco.

Seguir em frente

Seguir em frente


Localização do PR4 – Rota dos Caleiros

Percurso do Gaia – Arcozelo das Maias

cascata

No sábado passado sai de casa sem ter estudado um trilho para caminhar ou sem saber sequer se iria caminhar. Como se diz o importante é partir. Sabia que ali para os montes, para os lados de Arcozelo das Maias. Acabei por encontrar uma placa indicativa de um trilho lindo junto ao rio Gaia, talvez mais conhecido por rio Mau, logo a seguir à ponte do Gaia… não que precise de placas. Fiz apenas alguns metros, a minha companhia não ia preparada para caminhar mas deu para perceber que é um percurso cheio de belezas naturais rodeado por moinhos antigos. Um deles parecia recuperado de maneira a funcionar mas o canal da àgua estava bloqueado. No entanto este percurso não tem as marcações típicas de um PR, é sim promovido pela ADDLAP integrado no projecto WaterWaysNet com placas próprias indicando a distância percorrida mas sem indicação de distância total. Agora sei que é um percurso de interpretação ambiental de apenas 2km.
Infelizmente o percurso tinha restos de maratonas de BTT. Os organizadores deviam ser castigados quando deixam vestígios da prova na natureza.

Fitas queimadas pelo sol

Fitas queimadas pelo sol


Folhas informativas abandonadas

Folhas informativas abandonadas


Ao todo são 6 percursos que se advinham de beleza ímpar e do melhor que esta região tem para oferecer em termos paisagísticos. Fica prometida uma visita mais demorada.
Ainda dei um pulo a Couto de Esteves ver um amigo. Uma zona próxima de igual beleza. A conversa tocou num assunto critico: zonas como esta vão desaparecer com a construção prometida de um barragem. Às gentes locais pouco importa pois crescidos e vividos no mesmo local a maior parte não dá o devido valor ao património natural que possui.

PR1 – Da Pateira ao Águeda – Percursos pedestres de Águeda

PR1-Da Pateira ao Águeda

PR1-Da Pateira ao Águeda

Apesar de o ter feito várias vezes de bicicleta sozinho, ando já à algum tempo para o fazer da maneira própria para que foi criado: a pé.
O percurso pedestre PR1 – Da Pateira ao Águeda desenrola-se por ambientes naturais ou já um pouco alterados pelo homem sendo o menos agradável a travessia de estrada alcatroada. Amieiros, freixos, carvalhos, loureiros, choupos e (infelizmente) eucaliptos fazem parte da paisagem assim como caniço e outras espécies próprias de zonas húmidas.
Quanto às espécies animais da zona temos: Milhafre-preto, Garça Real, Águia-sapeira, Águia-de-asa-redonda, Guarda-rios, Perna-longa, Pato-bravo (bem mansos em algumas zonas), Galeirão e muitas mais espécies podemos descobrir se tivermos a sorte, paciência e conhecimentos para as distinguir. Na verdade a diversidade e quantidade desta zona é elevada pelo que não é difícil vislumbrar algumas das espécies sugeridas. Ontem, por exemplo, tive a sorte de ter Águias bem perto de mim e não andava à procura de animais nem os meus conhecimentos são elevados nesse campo.
Grande parte do percurso desenrola-se nas margens da Pateira, rio Cértima e Águeda sendo marcado pela embarcação característica usada ainda hoje em dia pelas gentes locais para a labuta dentro de água: a bateira, que nada mais é do que um pequeno barco simples tradicionalmente de madeira.
Não comecei o percurso dos pontos predestinados mas sim da antiga ponte romana de Requeixo seguindo para Óis da Ribeira fazendo o percurso no sentido horário. Não considero que seja um percurso difícil, existem muitas zonas planas mas convém levar água e alguma coisa que se coma. A Pateira de Espinhel e Óis da Ribeira são zonas de lazer, com espaços de merenda e até um restaurante (não sendo necessariamente um ponto positivo, é aliás muito negativo). Ontem, domingo, estes espaços estavam cheios e para minha surpresa os trilhos estavam a ser bem usados. Portanto bem combinado consegue-se passar um dia inteiro por estas paragens. E um belo dia!
Para quem ficar interessado em fazer o percurso podem aproveitar a iniciativa do Tocacaminhar no dia 1 de Março.

Localização do PR1 Da Pateira ao Águeda
Panfleto informativo:

Agora quanto a um ponto bastante negativo que pude observar durante o dia de ontem: das pessoas que andavam de bicicleta nenhuma e quando digo nenhuma é mesmo nenhuma utilizava capacete! Se a ritmo de passeio pode não ser uma falha grave, a ritmo de btt é uma falha que me enerva e dá má imagem aos ciclistas. A ponto de ter perguntado a um artista que andava de Lapierre toda XPTO pronta para correr, se na loja onde comprou a bicicleta não havia capacetes. Haja paciência para estes palhaços que compram bicicletas para as mostrar.

Bioria: Percurso de Salreu no Baixo Vouga Lagunar

Salreu por Trilhos da Terra

Salreu por Trilhos da Terra

Percursos pedestres há muitos mas feitos à noite poucos! Foi com este pensamento que aceitei participar no passeio fotográfico nocturno proposto pelo Trilhos da Terra: o Percurso de Salreu. Para mim de fotográfico teve pouco pois não levei máquina!! Fui só ver as vistas da noite.
Apesar do frio e da chuva miudinha, os sons e cores da noite acabam por de alguma forma valer a pena, ainda por cima numa noite de lua cheia.
É possível, com a indicação dos mais experientes ver alguns animais ou pelo menos a sua silhueta. Este é um percurso muito fácil, integrado no Bioria, Baixo Vouga Lagunar, uma área repleta de vida animal. São 8,5kms circulares com inicio e fim no antigo porto de Salreu.
O nosso percurso avançou lentamente, salpicado com as paragens para as fotografias, conversa e lições do anfitrião. Acabamos por ter uma surpresa e assou-se umas chouriças a meio da noite numas das mesas do caminho.
Enfim, uma experiência diferente de caminhada que se recomenda a todos!

Mapa do Percurso de Salreu / Como chegar.

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