PR4 – Rota dos Caleiros – Percursos Pedestres da Serra do Caramulo

Quando faço alguma espécie de pausa do dia a dia tento fugir dos destinos normais e enveredar por actividades que me façam realmente bem. Tive a sorte de conseguir emprestada uma pequena mas simpática casinha de pedra na Serra do Caramulo. Já tinha decidido em casa que o percurso a ser feito iria ser o PR4 Rota dos Caleiros, até por uma questão de proximidade ao sitio onde fiquei.
O que é um caleiro? Bem, se não estou em erro é um canal para levar água aos locais onde ela seja precisa. Hoje em dia substituídos por tubos, constroem-se caleiros em metal para apanhar as chuvas dos telhados.

Nuvens nos vales do Caramulo

Nuvens nos vales do Caramulo

A perguica e a estrada que ainda tinha que se fazer de carro fez com que a caminhada só tivesse inicio para lá das 9 da manhã, não no local habitual, a base do Caramulinho, ponto mais alto com sensivelmente 1075 metros, mas um pouco lá mais para a frente, num largo da eólica, para fugir ao pessoal de salto alto que vai visitar o Caramulinho. Aliás, desagrada-me bastante que existam estradas alcatroadas até estes sítios. Apesar da hora o dia apresentava-se nublado, as nuvens engoliam os cumes e os vales tornando a paisagem fresca e inspiradora.
Também fiz o percurso ao contrário do predefinido, ou seja, afastando-me do Caramulinho em direcção a Cadraço. Os trilhos antigos em pedra estão presentes em grande parte do percurso e levam-me a imaginar como seria (ainda mais) difícil a vida de outros tempos por estas paragens.
A pedra nua pode ser motivo de divertimento. Muitas vezes vejo-me parado a discutir com o que é que se parece aquele monte de pedras esculpido pela erosão ao longo dos milhares de anos. Uma pessoa, um sapo, um dragão, enfim. Esta beleza da pedra não se pode explicar. É preciso estar lá, respirar o ar puro, sentir a paz, o silêncio para perceber de que se fala.
Entretanto chegado a Pedrogão vi algo que não sei se me deixa ou não um pouco transtornado. Já se sabe que apesar da proximidade de vilas e cidades estas aldeias estão um pouco esquecidas. É normal ver garotos de botas de trabalho, muitos possivelmente guardam rebanhos. Não tem nada de mal, irão ser bem mais saudáveis que os garotos da cidade, pelo menos teoricamente. Bem, já me estou a esticar, a imagem que queria transmitir é: um desses garotos a ir ao correio e vir para casa com um Laguna à porta. Algo está mal nesta paisagem.

Vista da capela de Jueus

Vista da capela de Jueus

Entre pedra (note-se a grande pedra em equilíbrio próximo de Pedrogão, capelinhas, animais (domésticos e não domésticos se tivermos sorte), alminhas ou pelo menos o que eu penso que sejam alminhas chegamos a Jueus e da sua capela, além do interesse histórico, temos um ponto de vista magnifico para o vale onde aliás se podem ver restos de uma outra povoação de nome Carvalhal onde passa um caminho de pedra que serpenteia encosta abaixo.
Por esta zona também se podem observar moinhos. A água é uma presença constante, transparente e barulhenta mais um elemento da pureza da montanha. Novamente as casas ficam para trás e daqui até ao Caramulinho predominam as formações rochosas e quase não se dá pela estrada alcatroda que se dirige para Malhapão de Cima. O trilho/estradão que liga esta estrada ao Caramulinho é particularmente rochoso e chegados ao estradão existe uma mistura de paisagem rochosa com pastagens para o gado. Este pequena parte já a tinha feito de bicicleta na subida ao Caramulinho e verdade seja dita, andei todos os 8kms do percurso a pensar em levar para ali a bicicleta. Por falar em bicicleta, mais uma vez encontrei fitas de eventos de BTT. Felizmente ainda não existe muito lixo nesta serra e é triste que o que seja encontrado no percurso tenha exactamente a ver com uma actividade de contacto com a natureza.
Chegado ao Caramulinho encontrei as já típicas personagens de salto alto e gel no cabelo a subir as escadas que levam aos 1075 metros de altitude mais coisa menos coisa. Curiosamente a fazer o percurso pedestre só encontrei um grupo de duas pessoas.
Concluindo é um percurso que se faz sem grande dificuldade, extremamente bonito e de uma paz impressionante. Querendo, pode-se demorar o dia todo quer saindo dos trilhos e explorando novos recantos quer parando para observar todos os pormenores da paisagem, flora e fauna.
O dia seguinte não foi muito animado: frio chuva e neve não me puseram à vontade para explorar mais um bocadinho. Sou fraco.

Seguir em frente

Seguir em frente


Localização do PR4 – Rota dos Caleiros

Percurso do Gaia – Arcozelo das Maias

cascata

No sábado passado sai de casa sem ter estudado um trilho para caminhar ou sem saber sequer se iria caminhar. Como se diz o importante é partir. Sabia que ali para os montes, para os lados de Arcozelo das Maias. Acabei por encontrar uma placa indicativa de um trilho lindo junto ao rio Gaia, talvez mais conhecido por rio Mau, logo a seguir à ponte do Gaia… não que precise de placas. Fiz apenas alguns metros, a minha companhia não ia preparada para caminhar mas deu para perceber que é um percurso cheio de belezas naturais rodeado por moinhos antigos. Um deles parecia recuperado de maneira a funcionar mas o canal da àgua estava bloqueado. No entanto este percurso não tem as marcações típicas de um PR, é sim promovido pela ADDLAP integrado no projecto WaterWaysNet com placas próprias indicando a distância percorrida mas sem indicação de distância total. Agora sei que é um percurso de interpretação ambiental de apenas 2km.
Infelizmente o percurso tinha restos de maratonas de BTT. Os organizadores deviam ser castigados quando deixam vestígios da prova na natureza.

Fitas queimadas pelo sol

Fitas queimadas pelo sol


Folhas informativas abandonadas

Folhas informativas abandonadas


Ao todo são 6 percursos que se advinham de beleza ímpar e do melhor que esta região tem para oferecer em termos paisagísticos. Fica prometida uma visita mais demorada.
Ainda dei um pulo a Couto de Esteves ver um amigo. Uma zona próxima de igual beleza. A conversa tocou num assunto critico: zonas como esta vão desaparecer com a construção prometida de um barragem. Às gentes locais pouco importa pois crescidos e vividos no mesmo local a maior parte não dá o devido valor ao património natural que possui.

PR1 – Da Pateira ao Águeda – Percursos pedestres de Águeda

PR1-Da Pateira ao Águeda

PR1-Da Pateira ao Águeda

Apesar de o ter feito várias vezes de bicicleta sozinho, ando já à algum tempo para o fazer da maneira própria para que foi criado: a pé.
O percurso pedestre PR1 – Da Pateira ao Águeda desenrola-se por ambientes naturais ou já um pouco alterados pelo homem sendo o menos agradável a travessia de estrada alcatroada. Amieiros, freixos, carvalhos, loureiros, choupos e (infelizmente) eucaliptos fazem parte da paisagem assim como caniço e outras espécies próprias de zonas húmidas.
Quanto às espécies animais da zona temos: Milhafre-preto, Garça Real, Águia-sapeira, Águia-de-asa-redonda, Guarda-rios, Perna-longa, Pato-bravo (bem mansos em algumas zonas), Galeirão e muitas mais espécies podemos descobrir se tivermos a sorte, paciência e conhecimentos para as distinguir. Na verdade a diversidade e quantidade desta zona é elevada pelo que não é difícil vislumbrar algumas das espécies sugeridas. Ontem, por exemplo, tive a sorte de ter Águias bem perto de mim e não andava à procura de animais nem os meus conhecimentos são elevados nesse campo.
Grande parte do percurso desenrola-se nas margens da Pateira, rio Cértima e Águeda sendo marcado pela embarcação característica usada ainda hoje em dia pelas gentes locais para a labuta dentro de água: a bateira, que nada mais é do que um pequeno barco simples tradicionalmente de madeira.
Não comecei o percurso dos pontos predestinados mas sim da antiga ponte romana de Requeixo seguindo para Óis da Ribeira fazendo o percurso no sentido horário. Não considero que seja um percurso difícil, existem muitas zonas planas mas convém levar água e alguma coisa que se coma. A Pateira de Espinhel e Óis da Ribeira são zonas de lazer, com espaços de merenda e até um restaurante (não sendo necessariamente um ponto positivo, é aliás muito negativo). Ontem, domingo, estes espaços estavam cheios e para minha surpresa os trilhos estavam a ser bem usados. Portanto bem combinado consegue-se passar um dia inteiro por estas paragens. E um belo dia!
Para quem ficar interessado em fazer o percurso podem aproveitar a iniciativa do Tocacaminhar no dia 1 de Março.

Mapa (em desenvolvimento)
Panfleto informativo:

Agora quanto a um ponto bastante negativo que pude observar durante o dia de ontem: das pessoas que andavam de bicicleta nenhuma e quando digo nenhuma é mesmo nenhuma utilizava capacete! Se a ritmo de passeio pode não ser uma falha grave, a ritmo de btt é uma falha que me enerva e dá má imagem aos ciclistas. A ponto de ter perguntado a um artista que andava de Lapierre toda XPTO pronta para correr, se na loja onde comprou a bicicleta não havia capacetes. Haja paciência para estes palhaços que compram bicicletas para as mostrar.

Bioria: Percurso de Salreu no Baixo Vouga Lagunar

Salreu por Trilhos da Terra

Salreu por Trilhos da Terra

Percursos pedestres há muitos mas feitos à noite poucos! Foi com este pensamento que aceitei participar no passeio fotográfico nocturno proposto pelo Trilhos da Terra: o Percurso de Salreu. Para mim de fotográfico teve pouco pois não levei máquina!! Fui só ver as vistas da noite.
Apesar do frio e da chuva miudinha, os sons e cores da noite acabam por de alguma forma valer a pena, ainda por cima numa noite de lua cheia.
É possível, com a indicação dos mais experientes ver alguns animais ou pelo menos a sua silhueta. Este é um percurso muito fácil, integrado no Bioria, Baixo Vouga Lagunar, uma área repleta de vida animal. São 8,5kms circulares com inicio e fim no antigo porto de Salreu.
O nosso percurso avançou lentamente, salpicado com as paragens para as fotografias, conversa e lições do anfitrião. Acabamos por ter uma surpresa e assou-se umas chouriças a meio da noite numas das mesas do caminho.
Enfim, uma experiência diferente de caminhada que se recomenda a todos!

Mapa do Percurso de Salreu / Como chegar.

PR5 – Caminho de S. Miguel do Mato – Vouzela

Um percurso pequeno, fácil e bonito. São 7kms circulares onde se pode ficar muito mais tempo do que em percursos mais longos, não fosse esta zona toda muito bonita.
Encontrar a Junta de Freguesia de S. Miguel do Mato foi mais complicado do que eu pensava apesar da informação da Câmara Municipal de Vouzela. Vale sempre a indicação das pessoas do campo, por norma simpáticas. Este edifício é uma antiga estação da linha do Vouga já aqui falada. Felizmente foi aproveitado para outro fim e não deixado ao abandono. E é através dessa linha que se desenrola a maior parte do percurso. Até à encruzilhada que dá para a antiga Igreja Paroquial de S.Miguel do Mato vai-se observando fauna, flora e os vestígios do que foi em tempos uma importante linha de ferro. A paisagem lembra por vezes mini desfiladeiros. Convida a caminhar devagar e apreciar cada pedra.
A igreja abandonada, a cair e sem sinais de recuperação é extremamente bonita. Pode-se subir à torre e contemplar toda a paisagem em redor. Ao lado tem um cemitério, para mim bonito, tenho uma certa simpatia com estes lugares e em conjunto com a igreja foi onde passeio a maior parte do tempo a explorar, ler lápides antigas, imaginar.
Voltando à encruzilhada continuamos na linha por mais um bocado até surgir um corte à esquerda que nos vai levar à capela do Senhor da Agonia. Uma capelinha meio incorporada na pedra que merece alguns minutos de atenção.
Seguindo o trilho passamos pelo recinto das festas, nota negativa para algum lixo espalhado. Depressa nos esquecemos desse cenário com a beleza do que se aproxima, principalmente se fizermos este trilho ao cair da folha! Infelizmente um ou outro monte de lixo estraga o quadro.
Chegamos à povoação onde casas típicas da região recuperadas ou não nos dão as boas vindas. E depressa estamos novamente no ponto de partida.
Resumindo, um passeio altamente recomendável! Tirei fotos mas acho que me esqueci de revelar, tenho que encontrar o rolo!

Mapa (em desenvolvimento)
Folheto PR5 Caminho de S. Miguel do Mato

PR3 – Rota das Laranjeiras – Percursos pedestres de Sever do Vouga

E porque nem só de bicicletas vive o homem o domingo passado foi dia de caminhada. Ou trekking ou como lhe quiserem chamar. Já à algum tempo que andava curioso acerca do percurso que passa pela antiga linha do Vouguinha, pela ponte do Poço S. Tiago.
O PR3 – Rota das Laranjeiras começa junto à Igreja Matriz de Pessegueiro do Vouga. A partir dai escolhi subir. A localidade tem uma ou outra casinha engraçada arquitecturalmente falando mas nada de muito especial. A parte inicial do percurso não me despertou grande interesse: subidas e descidas constantes que vão ter à mesma estrada alcatroada e passagens pelo meio das casas sem nada de interessante a assinalar, tirando as respectivas capelas de cada monte e as vistas excelentes para o vale. A partir da capela de Sta. Quitéria segue-se por um caminho florestal que irá sair na antiga linha de comboio do Vouga.  Existe sempre uma constante bastante negativa: a floresta é composta na maior parte por eucaliptos. Mas ainda mais negativo foi encontrar lixo despejado no meio da floresta: móveis, electrodomésticos e peles de animais que outros animais puxaram para o caminho causando um cheiro nada agradável. A partir daqui é sempre a descer e é preciso algum cuidado para quem não estiver habituado, a descida chega a ter uma inclinação considerável.
Finalmente chegamos à antiga linha. O piso de alcatrão acelera o passo e mal damos por isso estamos na imponente ponte do poço de Santiago, uma das principais atracções deste percurso e provavelmente a maior ponte de pedra de Portugal. Uma paragem para apreciar os arredores e siga para a frente. Os eucaliptos começam a desaparecer da vista e outro tipo de vegetação mais agradável toma o seu lugar. É sempre engraçado passar pelos pequenos túneis do comboio e observar o tecto negro, lembrança dos anos dourados da máquina a carvão.
Mas agora existe outra coisa para onde voltar o olhar: castanheiros e os seus ouriços carregados de castanhas! Calhou um senhor que estava a passear por ali e mora por perto, meter conversa acerca da qualidade das castanhas, acerca daqueles terrenos e outros demais temas. Dai a pouco já eu tinha algumas castanhas na mochila e a minha companhia uns cogumelos na mão que nunca esperei encontrar por ali, iriam ser o meu jantar! Siga caminho. Convém referir que esta parte do caminho é extremamente plana, mais do que alcatrão e pintada de vermelho, uma verdadeira passadeira de caminhada. Ainda comi umas castanhas cruas que abriram apetite para um copinho de moscatel num café em frente à antiga fábrica de massas alimentícias depois da estação de Paradela.
Daqui segue-se por alcatrão e nem sempre com bermas para peões até à outra margem do rio Vouga. Dai começa a sucessão de caminhos entre quintais e terrenos agrícolas, caminhos e carreiros bastante agradáveis até. Por esta altura surge a ideia de repetir o caminho quando as laranjas estiverem maduras pois a paisagem com certeza será muito mais bonita.
Mal me dei conta já estava outra vez na igreja matriz e dei por concluída a jornada do dia. Foram cerca de três horas a descobrir este recanto do rio Vouga com 10kms. Pessoalmente mudaria algumas coisas no percurso, acho muito mais interessante ver mais dos recursos naturais da zona do que andar no alcatrão da aldeia.

Mapa (em desenvolvimento)
Folheto do percurso: Rota das laranjeiras – pág. 1 ; Rota das laranjeiras – pág. 2

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