PR2 Cabreia e Minas do Braçal – Percursos Pedestres de Sever do Vouga

Os percursos pedestres que acompanham cursos de água são de se fazer quando chove, logicamente. O PR2 Cabreia e Minas do Braçal é um percurso que só faz sentido se o rio Bom ou rio Mau, conforme a zona onde nos encontramos se encontrar cheio de força para dar mais encanto às cascatas que vamos encontrar.
É num desses pontos, a cascata da Cabreia que começa o percurso pedestre, em Silva Escura. Este percurso é divido em três mas só vamos falar do maior, PR2.3 com cerca de 10kms de extensão e aquele que passa pelas minas da Malhada e do Braçal. Sobre as minas o panfleto informativo, diz o seguinte:

O percurso sinalizado tem o seu inicio aqui na Cascata da Cabreia e desenvolve-se pela zona envolvente proporcionando três alternativas com diferentes extensões sendo a maior delas, aquela que permite a passagem
dentro do perímetro do Complexo Mineiro da Malhada e Braçal.

Nestas minas era explorada a Galena ou Minériode Chumbo.

O Braçal, a Malhada e o Coval da Mó constituiram um dos mais importantes centros mineiros do norte do pais.

A descoberta nestas minas de vestígios antigos leva à conclusão de que as mesmas já existiam, provavelmente do tempo dos Romanos. De 6 de Agosto de 1836 data a emissão do decreto concedendo campo da antiga mina do Braçal a José Bernardo Michelis. Em 1840 a concessão passou para o alemão Diéderich Mathias Fewerheerd que a explorou durante dez anos.

Em 1850 foi descoberta a mina da Malhada que dista da do Braçal cerca de 800 metros cujo poço principal o “Poço Mestre” tinha cerca de 400 metros de profundidade.

Iniciou-se uma nova fase em 1882 com a criação da Companhia Mineira e Metalurgica do Braçal, formando-se em 1898 uma Companhia Belga que se propôs revitalizar as minas e modernizá-las.

Todo o complexo mineiro é banhado pelo rio Mau que passa neste local, formando esta linda cascata da Cabreia e que na zona mineira se encontra
escondido, quase sempre canalizado em túneis.

Nos anos de 1862 e 1863 houve grandes manifestações populares contra as minas, porque se alegava que os fumos dos fornos prejudicavam as
culturas.

Já no século XX e durante vários anos a empresa mineira foi administrada pelo Sr. Engenheiro Gregório Pinto Rola.

Após alguns anos de paragem, a exploração mineira foi reactivada em 1942, terminando definitivamente em 1958, sendo administrador até então o Sr. Engenheiro João Oliveira Vidal.

De 1949 a 1955 chegaram a trabalhar neste complexo mineiro 742 operários, fazendo desta empresa uma das maiores do Distrito de Aveiro.

O encerramento das minas provocou um grave problema social que levou ao êxodo completo para a emigração em França eAlemanha.

cascata da cabreia

Cabreia

Ora vamos lá então ao caminho. A cascata da Cabreia em si é um lugar daqueles onde as pessoas vão de salto alto sem realmente se interessar pela natureza ou pelos percursos. É uma cascata com alguns moinhos, vestígios de rituais de bruxaria, um parque de merendas agradável. É portanto, um lugar agradável para se estar se ignorarmos os tais saltos altos. Exactamente por ter escolhido esta altura do ano a cascata estava com uma força considerável projectando uma neblina contra as paredes do vale tornando-o verdejante.
Também é um paraíso para os filtros de densidade neutra e velocidades baixas, fotograficamente falando.
O percurso deixa o parque e sobe a estrada em pedra até à estrada florestal que nos leva para o vale, seguindo o curso do rio. Encontramos uma ponte e o PR2.1 segue para a esquerda, percurso que não fiz. Sempre em frente e não tarda muito encontramos as minas da Malhada. São apenas alguns de edifícios antigos que quase passam despercebidos não fosse a arquitectura engraçada de um dos primeiros que encontramos à borda da estrada. Depois de explorado o edifício toca a andar. No meio das ervas, quase que por acaso se vê uma pequena entrada. Esta entrada é afinal um túnel pequeno que vai dar a um poço da mina. Isto é perigoso. A curiosidade muitas vezes ultrapassa a razão e não é assim tão raro acontecerem acidentes nestes cenários. Tive que me chatear com a minha companhia, que gosta muito de se empoleirar.
O PR2.2 separa-se por esta altura e o PR2.3 segue o rio por entre um bosque agradável, com um ou outro sinal de abuso por parte dos jipes, até às minas do Braçal.

chão de casa nas minas do braçal

Chão de Casa

Nas ruínas das minas do Braçal é deixar a imaginação funcionar. As casas dos operários estão abertas. Não tem nada a não ser papeis no chão. Mais uma vez, o melhor é ficar no trilho pois o estado de conservação destas casas, infelizmente, pode não aguentar com o nosso peso. Muitas têm vários pisos e uma queda a atravessar estes pisos não deve ser agradável. Esta zona poderia ser transformada num excelente complexo turístico, assim houvesse vontade e dinheiro. Mesmo assim serve para o paintball e para fotógrafos com jeito, suponho!
Um corredor de vegetação leva-nos deste complexo habitacional às minas propriamente ditas. As paredes dos velhos edifícios envoltas pela vegetação criam uma atmosfera um pouco mágica, um pouco Senhor dos Anéis, um pouco perigosa mais uma vez! É que o rio é conduzido por subterrâneos. Ouvir, ouve-se, ver é que nem por isso. Caminhamos literalmente em cima do rio e existe um ponto onde uma das paredes do túnel ruiu.
Saímos das minas e temos uma subida francamente cansativa. Não pela distância ou desnível, sim pela quantidade de eucalipto, esse cancro das nossas florestas. Encontra-se um túnel que só mais tarde me apercebi que tem ligação à fundição, já um pouco afastada das minas.
Já no topo da subida tomamos um antigo caminho, este com bastante piada até para fazer de bicicleta, em direcção ao Fojo. Existem alguns cruzamentos um pouco mal sinalizados e só vendo os sinais em sentido contrário nos apercebemos do caminho correcto. Já mesmo no fim, na descida para a cascata da Cabreia, a confusão aumentou. O sinal lá estava num poste mas um pouco mais à frente uma placa indicava “Propriedade privada” e sinais nenhum! Desci pela encosta da cascata mas se o caminho é realmente por ali é melhor ter cuidado, não vá o diabo tece-las e acabarmos por descer aquilo aos trambolhões!

Localização do PR2 Cabreia e Minas do Braçal
Panfletos do PR2 Cabreia e Minas do Braçal parte 1 e parte 2.

Bioria – Percurso do Antuã

Antes de mais tenho que dizer uma coisa em que tenho matutado e esquecido de referir noutras entradas no blogue. Não é estritamente necessário que uma zona tenha um trilho para podermos caminhar nessa zona. O planeta está à nossa espera sem trilhos marcados e basta partir para o descobrir. Cresci em zonas rurais, desde pequeno me habituei a ter os meus trilhos e portanto apenas sigo trilhos marcados para poder ter uma opinião sobre o seu traçado.
O Baixo Vouga Lagunar é disto um perfeito exemplo. são quilómetros e quilómetros de caminhos. Não esperem que os marquem, ponham os pés ao caminho e descubram esta zona tão rica. É completamente plana mas o que lhe falta em terreno é compensado pela paisagem, fauna e flora.

Rio Antuã

Rio Antuã

Ora então vamos lá ao trilho pedestre marcado de hoje. O Percurso de Antuã que, como o nome indica, decorrer ao longo do Rio Antuã, o rio mais importante do concelho de Estarreja, com apenas 6kms circulares.
Podemos iniciar o percurso pedestre junto da estação de comboio de Estarreja. Na verdade começa uns metros depois, no Largo do Esteiro de Estarreja mas é possível ir de comboio e ver logo a indicação do percurso.
O percurso é inteiramente composto por largo estradão de terra batida onde as máquinas agrícolas passam de vez em quando. A primeira parte segue a margem do rio, com pouca água mas limpa. Avistam-se campos, gado e aves com frequência, principalmente garças que não andam muito longe do gado bovino. Muitas margens do rio apresentam escavações de lagostins, uma espécie exótica prejudicial.

Campos alagados

Campos alagados

A segunda parte do percurso, depois da estação elevatória, em sentido inverso percorre zonas alagadas, quer repletas de junco quer zonas de arrozais, onde é possível avistar com facilidade diferentes espécies de aves desde cegonhas a águias passando pelos melros e corvos. Claro que os pequenos pardais são os que em maior número se mostram e fazem questão de marcar a sua presença com alegres canções. As borboletas e libelinhas ainda fazem a sua aparição. Os répteis é que não serão lá muito fáceis de avistar. Segundo a informação ao longo do caminho podemos encontrar: verdilhão, toutinegra-dos-valados, malhadinha, borboleta-pequena-da-couve, cavalinho-do-diabo, libélua-ibérica-de-cauda-azul, maravilha, delta-castanha, toirão, doninha, toupeira, lontra, morcego-rato-grande, rato-de-água, cobra-de-água-de-colar, rã-ibérica, tritão-de-ventre-laranja, cobra-de-água-viperina, rã-verde. lagarto-de-água, garça-branca-pequena, guarda-rios, pardal, andorinha-das-chaminés, galinha-de-água, águia-d’asa-redonda. Os mais esquivos são a raposa, cuco, pirilampo-mediterrânico, garça-vermelha, rela (ao tempo que não vejo uma!) e enguia.
Já no fim ainda tempo para molhar os pés no rio apesar da temperatura muito baixa da água.
Conclui-se portanto que é um percurso pedestre para onde é obrigatório levar pelo menos binóculos, à falta de equipamento fotográfico adequado. Recomendado!

Localização do Percurso do Antuã

PR6 – Trilho de Águeda – Percursos Pedestres de Águeda

Confesso que ainda estou a pensar qual foi o propósito da criação deste trilho. Faço já o aviso: trilho muito pouco recomendado. Depois das noticias de sucesso da abertura do trilho de Águeda no passado fim de semana passado, picado pela curiosidade, resolvi experimentar apesar de ficar sempre de pé atras quando os percursos se apresentam muito urbanos. Foi uma perca de tempo. De tal maneira que perdi a vontade e não o completei.
Vamos lá aos factos. O trilho começa junto ao Rio Águeda num espaço mais ou menos agradável. O problema é que não fazia a mínima ideia de que o rio se encontra tão sujo. Água preta, lama preta, pedras pretas, uma visão nada agradável. Alguns passos mais tarde, junto à margem, uma poça enorme de água parada com um cheiro nauseabundo, um nojo muito simplesmente.

Lixo junto ao estádio

Lixo junto ao estádio

Mais um pouco e estamos no estádio. Aqui existe montes de lixo a acompanhar o trilho. As placas desaparecem mas também não existe muito por onde ir. Passam umas moto4 e umas motas de motocross que apesar de circularem devagar deixam no ar uma nuvem venenosa. Avistam-se uma ou outra casa antiga com algum interesse e que eu tanto gosto. É preciso também dizer que a estrada de alcatrão é perigosa sem qualquer espaço para peões mas é exactamente por ai que passa o trilho.

Ponte dos Violantes

Ponte dos Violantes

Depois desta estrada chegamos a um parque de merendas onde está localizado um dos pontos de maior interesse: uma ponto tipo “Himalaia” serve para nos divertirmos um pouco e ver algumas caras assustadas!
Mas as surpresas negativas não se ficam por aqui. Já na outra margem, poucos metros depois da ponte somos interrompidos por uma proprietária do terreno por onde passa o trilho. Dizia ela que o caminho é e sempre foi pela margem do rio e que a margem é para ai no máximo a dois metros do rio. Não se pode portanto passar pelo caminho que está já calcado e onde estão os sinais da caminhada mas sim pela margem que se apresenta cheia de árvores e vegetação rasteira. A mulher que se entenda com a câmara e com quem fez este percurso em cima do joelho, já estava farto de a ouvir. Apenas a avisei que vai por lá passar muita gente.
Não existe muito mais a contar. O resto do caminho tem o rio do lado esquerdo, campos e fábricas do lado direito. Este não é definitivamente um trilho pedestre com a mesma qualidade do Da Pateira ao Águeda. Provavelmente uma visita ao cemitério por onde passa o trilho, já dentro da cidade, teria sido muito mais proveitosa. Fica a fotografia de um pormenor da entrada.

Pormenor cemitério

Pormenor cemitério

Localização do PR6 – Trilho de Águeda

Percurso do Rio Jardim no Baixo Vouga Lagunar

O Percurso do Rio Jardim é um percurso bastante pequeno mas ficou claro que podemos lá passar o dia todo! Este é um percurso que fica dentro do semi-circulo formado pelo Percurso do Bocage sem deixar de ter características próprias. Aos arrozais, onde se nota perfeitamente o pouco uso de pesticidas, segue-se uma torre de observação para dar uso aos binóculos e máquinas fotográficas adequadas.

Campos verdejantes

Campos verdejantes

A este segue-se um corredor verde ladeado por braços de água, campos, caniçais e árvores. Um verdadeiro festival de cores e formas. Quanto à lista de espécies das placas informativas temos: cegonha-branca, tentilhão, salgueiro-branco, milhafre-preto, pardal, peneireiro; um conjunto de insectos composto por: borboleta malhadinha, borboleta-pequena-da-couve, traça-de-cinco-pintas, libélula-ibérica-de-cauda-azul, cavalinho-do-diabo, borboleta-cauda-de-andorinha; junto à torre: caniço, rouxinol-pequeno-dos-caniços, escrevedeira-dos-caniços, acácia-de-espigas, erva-pinheirinha, lagostim-vermelho-de-Lousiana (espéce exótica prejudicial); nos corredores: gaio, pisco-de-peito-ruivo, salgueiro-preto, chapim-carvoeiro, chapim-rabilongo, amieiro, junco-marítimo, doninha, lírio-amarelo-dos-pântanos, cobra-de-água-viperina, rato-de-água, garça-vermelha, tábua-larga, chapim-azul, sapo-parteiro, gineta, pardal-montês, lagarto-de-água, poupa, verdilhão, silva, amieiro, toutinegra-dos-valados e lugre. Mesmo que só se consiga ver algumas destas espécies numa visita normal, é preciso mais motivos para visitar esta zona?

Rã

Esta altura do ano é ainda rica em pequenas rãs que saltam de entre a erva à medida que caminhamos. São muitas, talvez escondidas dos predadores, não fossem elas rápidas a saltar e teríamos que ter cuidado para não as pisar.

Ver localização do Percurso do Rio Jardim

Percurso do Bocage no Baixo Vouga Lagunar

Já à algum tempo que a curiosidade sobre os restantes trilhos pedestres de Salréu me fazia olhar pela janela do Comboio cada vez que passo para aqueles lados. Depois de provar o Percurso de Salréu, o mais comprido e emblemático, chegou finalmente a altura que os meus pés não se contiveram e foram visitar o Percurso do Bocage e Percurso do Rio Jardim, percursos que se repartem por Salréu e Canelas. Um com perto de 4km e outro com 2kms percebe-se logo que são percursos para fazer devagar, observar muito bem o que nos rodeia e por que não, sair dos caminhos marcados para explorar outras zonas. Afinal de contas a zona é totalmente plana. Não sendo circulares é facil saltar de uns para os outros e todos começam e acabam num caminho paralelo à linha de comboio.

Vista

Vista

Comecei pelo percurso do Bocage. Indo de carro e deixando depois da ponte é necessário percorrer cerca de 1km e cruzar com outros trilhos para encontrar o percurso do Bocage, sempre com a serra do nosso lado direito, lá bem longe. Depois é seguir pelos largos, planos e bons caminhos. Tão bons que podemos ter o azar de encontrar veículos automóveis. Na verdade foram duas carrinhas se não estou em erro. Provavelmente das pessoas que trabalham nestes campos por isso não é de condenar. Este local tem características muito próprias de tal maneira que forma um habitat único em Portugal.

Bocage

Bocage

O ambiente Bocage é acima de tudo caracterizado por campos de cultivo separados por sebes vivas, imagem tão característica do romantismo que lhe é associado, portanto é precisamente esta paisagem que encontramos. Não são poucas as vezes que nos penduramos num portão qualquer feito de ramos e o olhar se perde. O olhar e o pensamento. Até nos esquecemos da máquina fotográfica.
São muitas as espécies animais e vegetais que podemos encontrar. Claro que umas são bem mais visíveis que outras mas consta que por lá existem guarda-rios, nenúfares, caniço, galinha-de-água, lagarto-de-água, lontra, morcego-hortelão, garça-real, fuinha-dos-juncos, raposa, águia-d’asa-redonda, pato-real, gado bovino de raça marinhoa (autóctone), pintassilgo, gavião, funcho, mocho-galego, texugo, coruja-do-mato, pica-pau-malhado, pilriteiro, rola-brava, carvalho-roble e pega. Uma lista riquíssima portanto!
Fazendo o caminho no sentido que o fiz, de norte para sul, acabamos junto a uma ponte ferroviária, um pouco abaixo da estação de Canelas. Subindo para norte paralelamente à linha cedo encontramos o Percurso do Rio Jardim. Antes destes existe ainda um braço de água com uma pequena lagoa onde, nesta altura do ano, os peixes ficaram encurralados e as aves aproveitam para se banquetear. Com uma objectiva adequada e/ou binóculos é de todo aconselhável sentar-se à sombra de uma árvore e esperar! Não tarda temos imagens magnificas.

Ver localização do Percurso do Bocage

Aves a alimentar-se

Aves a alimentar-se

PR2 TND – Rota do Linho – Percursos Pedestres do Caramulo

Castelões

Castelões

Este é o segundo trilho marcado que fiz nos últimos dias passados no Caramulo. Com um nível de dificuldade apontado para médio alto, um tema tradicional e uma encosta da Serra do Caramulo voltada para a Serra da Estrela, este é um trilho que promete logo à partida.
Para encontrar a Rota do Linho preciso procurar a aldeia de Castelões, relativamente perto de Campo de besteiros. Depois é preciso subir até ao Santuário do Coração de Maria. Na verdade optei por deixar o carro mais em baixo e fazer a pé a subida até este lugar. O dia bastante quente e as escadarias até à Igreja avisaram onde nos íamos meter. Na verdade, a opção de fazer o trilho pela tarde não foi lá muito inteligente.
Siga para a frente, subir mais um bocado. Esta primeira parte do trilho não tem muito que contar. Os animais esses eram difíceis de avistar por causa da hora e ao calor. Caminhamos por estradões enfadonhos, ora a subir, ora a descer (é preciso força nas pernas para descer) e muitas vezes cheios de pó e areia que se mete por todo o lado. São caminhos abertos recentemente ou reabertos. Pessoalmente prefiro os caminhos tradicionais. No entanto a paisagem florestal têm pontos muito interessantes e quem fizer esta parte pela manhã munido de equipamento apropriado com com certeza conseguirá observar muito bicho!

Rã

Depois de tanto pó, do sobe e desce chegamos a uma pequena represa. Tempo para refrescar os pés, tirar umas fotos aos animais que se conseguirem avistar se bem que com máquinas compactas pode ser uma tarefa complicada. Existe uma espécie de libelinha (ou assim eu penso), toda azul, que tem tanto de bonita como de irrequieta e obter uma imagem da mesma sem equipamento apropriado não é fácil. Mas, pelo que me apercebo da sua raridade, observa-lá já é um privilégio.
A aldeia de Múceres espera por nós e nela a sua escola primária que acolhe o Centro de Laboração do Linho. Foi preciso andar às voltas da escola e bater às portas, mas fomos bem recebidos. Lá podemos observar os mecanismos de um tear tradicional enquanto é fabricada uma peça de linho ao vivo. As artesãs, apesar de meio desconcertadas com a visita, lá explicaram e mostraram o processo que esta planta sofre até nos servir. O que fazem está à venda, não gosto dos artigos mas é o meu gosto, a visita vale a pena.
Ora seguindo caminho, fazendo uma visita à Capela da Senhora do Livramento, que para não variar muito estava fechada foi altura do acontecimento insólito do dia. Como a caminhada se alongava apetecia trincar alguma coisa. Nestas aldeias nunca existe muito mas acabou-se por comprar umas bolachas num mini mercado. À primeira trincadela estranhou-se a textura das bolachas. Foi então que se reparou que tinham passado a data de validade à um ano! Fantástico! Lá fui trocar aquilo e o homem diz que não tinha reparado! Parece que além das bolachas também os casarões belos destas aldeias passaram da validade. A cair aos bocados, são memórias de um tempo em que a prosperidade morava por estas bandas.

Ribeira de Múceres

Ribeira de Múceres

Os moinhos estavam à espera mas também eles estão ao abandono, degradados e cheios de vegetação. No entanto criam uma paisagem bonita. Seria mais bonita levasse a ribeira mais água! Mesmo assim existe um ponto que é propicio a um pequeno banho. Nota-se perfeitamente a força da água no Inverno pelo que me ocorre que esta não é a melhor altura para fazer este caminho. No entanto este tipo de informação não é dado ao caminhante e o que aparece sempre nos panfletos é a indicação de que o caminho é para se fazer durante todo o ano.
Depois é passar por Conguedo e Costa da Várzea, ir observando a paisagem, enveredar pelo caminho de regresso. Por esta altura estamos a passar pelos campos de produção de linho. Infelizmente já está cortado e os campos limpos. Mais uma informação que não é dada ao caminhante.
Nota final para a última subida, digna desse nome! É portanto um percurso pedestre que se recomenda mas a fazer em época de mais água.

Localização do PR2-TND-Rota do Linho
PR2 Rota do Linho

PR3 TND – Rota das Cruzes – Percursos Pedestres do Caramulo

Capela de São Bartolomeu

Capela de São Bartolomeu

Fugindo à confusão do litoral, refugiei-me na serra do Caramulo durante uns dias e este foi um dos percursos que fiz.
O PR3 TND – Rota das Cruzes é um percurso pedestre que começa na vila do Caramulo, que se mostrou bastante calma, talvez por estarmos no Verão.
Atravessamos os jardins da vila em direcção às aldeias. Acabamos por encontrar as primeiras cruzes mais cedo do que pensamos, não sem antes sermos convidados a visitar a Igreja Matriz e a capela de S. Sebastião em Guardão. O caminho segue rodeado por uma série de Cruzeiros em direcção a Janardo.
Depois da entrada em caminhos mais agrícolas é tempo de reparar em pequenos pilares com os nomes das freguesias que participam na festa das Cruzes. Alguns podem estar um pouco tapados pela vegetação. Sem dar por isso estamos aqui estamos na capela de S. Bartolomeu e castro, pequeno monumento de interesse histórico gigantesco.

Festa das Cruzes

Ainda hoje, em quinta feira de Ascensão, na freguesia de Guardão, se dá continuidade à celebração da multi-secular Festa das Cruzes, cuja origem o tempo logrou em apagar. conta a tradição de a celebração de tal evento está relacionada com a expulsão dos mouros deste agreste território. Habitando este povo invasor numa das vertentes da serra do Caramulo, no lugar hoje ocupado pela capela de São Bartolomeu, constantemente fazia insvestidas às vizinhas populações cristãs, saqueando e destruindo os seus bens. Sabendo das atrocidades de que eram vitimas os seus irmãos na fé, vieram em seu auxilio os habitantes de Santiago, Santa Eulália e Castelões, armados de bestas, machados e forquilhas. A batalha foi de tal forma dura que o povo cristão se viu em apuros, tendo mesmo que implorar a intervenção divina. Saindo vitorioso, dirigiu-se em procissão à igreja matriz do Guardão, onde foi recebido num abraço de eterna gratidão. Ficou então a promessa de todos os anos irem ao local em romaria de acção de graças.
Não passa esta história de uma fantasia popular que, à semelhança de muitas outras, o povo criou e a Igreja, impotente perante a intransigência do povo tradicionalista, teve necessidade de cristanizar, levantando capelas perto de castros para que não se fizessem procissões a sítios pagãos.
A Festa das Cruzes está simplesmente ligada à antiga igreja matriz do Guardão, à qual acorriam várias freguesias por não haver outra por perto. Como boas filhas, as freguesias dependentes, em dia de Ascensão, levando as suas cruzes iam ao encontro daquela que era a sua mãe. No inicio participavam nesta festa cerca de doze freguesias; porém, hoje em dia, não vêm mais do que três.

Vista de Carvalhinho

Vista de Carvalhinho

De seguida descemos até ao rio Xudruro, atravessando a pequena ponte romana para voltar a subir até ao Carvalhinho, uma pequena aldeia tipicamente serrana. Estes são caminhos estreitos, agradáveis mas com os quais se deve ter algum cuidado devido aos desníveis das encostas.
Uma paragem para observar as vistas proporcionadas pelo espaço da capelinha e continuamos a subir até entrarmos novamente nos caminhos da serra.
Daqui até chegarmos ao Caramulo encontramos caminhos diferentes, sejam compostos por vegetação rasteira de montanha, sejam terrenos agrícolas cada um com um encanto próprio e acima de tudo muito bonitos, salpicados pelas localidades anteriores à vila. Num destes caminhos, entre os carvalhos, encontrei uma pista de downhill bastante simpática!
Já na vila, pode-se aproveitar para visitar o museu, coisa que não fiz desta vez.
Mais uma caminhada na Serra do Caramulo, bastante divertida, bonita e acessível que me faz gostar cada vez mais de pedestrianismo.

Localização do PR3 – Rota das Cruzes
Ficha técnica do PR3 TND – Rota das Cruzes

PR3/FF – Rota da Boa Viagem – Figueira da Foz

Praias Murtinheira

Praias Murtinheira

Comecei esta caminhada de pequena rota no miradouro chamado de Bandeira, ponto de onde se têm uma vista de um pedacinho do pais em dias limpos, desde a praia até à serra. Como esta é uma altura de turistas de salto alto não me demorei muito por aqui até porque não seria a primeira visita ao local. Segui em direcção à capela de St. Amaro, por estrada alcatroada, o que estava a começar a chatear devido à quantidade de automóveis. No entanto os meus receios desapareceram quando finalmente entrei na mata, descendo a encosta maioritariamente por estradão em direcção ao farol do Cabo Mondego, que nos acompanha durante uma boa parte do percurso. Notou-se imediatamente um problema do percurso: falta de marcações antes dos cruzamentos o que faz com que muitas vezes se tenha que andar nos dois sentidos à procura do caminho certo. Entre descidas acentuadas de pedra solta, paisagens como só a serra junto ao mar oferece e a brisa refrescante chega-se à primeira ferida maior da serra.

Fossil

Fossil

A extracção de cal pela Cimpor comeu uma grande parte da serra. Os enormes buracos cinzentos, além de comerem a paisagem, destroem o legado geológico que a serra possui. De facto não é muito difícil encontrar pequenos fósseis mesmo debaixo dos nossos pés. Se assim continuarem as escavações, este é um percurso e uma serra condenados!!
Mais uns passos e chega uma das partes mais interessantes do percurso. O estradão enfadonho dá lugar a um pequeno carreiro entre pedra e pinheiros com vistas soberbas sobre as encostas, mar e praia. Este carreiro leva-nos a descer até à localidade. E depois é que a porca troce o rabo. Esta parte do percurso é absolutamente detestável. A menos que se queira fazer um desvio para um banho no mar, era de todo aconselhável evitar passar por uma localidade que nada mais tem do que moradias de férias, sinais claros de luxo, falta de respeito pela natureza e mais umas coisas feias que não vou escrever aqui.
Depois do pequeno pesadelo de alcatrão começamos outra parte interessante do percurso. A subida da serra até ao miradouro dá-se numa primeira parte por um estradão largo e depois, para minha grande satisfação, por mais um caminho íngreme de pedra, uma espécie de degraus, direitinho ao miradouro onde cheguei com os cerca de 12kms percorridos.
Penso que é um percurso interessante para quem se quiser demorar mais um pouco, com binóculos. Mas por causa da destruição da serra, por causa do muito estradão e por causa do alcatrão não é dos primeiros que recomendo.

Localização do PR3 – Rota da Boa Viagem

PR3 – Entre a Ria e a Floresta – Ílhavo

Entre a Ria e a Floresta

Entre a Ria e a Floresta

Algo correu muito mal nesta caminhada. Fui completamente iludido com a facilidade do percurso por ser completamente plano e o facto é que me perdi um pouco depois de abandonar as margens da Ria e avançar para o meio do pinhal. Ia com a cabeça no ar, descontraído por saber que se falha-se algum sinal sabia ir ter ao inicio a acabei por falhar mesmo ou pelo menos assim julgo. Um mistério a resolver mais tarde.
De qualquer das formas fica a nota para esta caminhada. O percurso começa em frente ao café Bruxa, onde se pode tomar um café com uma bela vista e segue pelo estradão paralelo à Ria de Aveiro, pelo canal de Mira. A parte da Ria é bonita quanto baste. Se o dia estiver com um pouco de nevoeiro então melhor. Não foi o caso mas já por lá passei nessas condições e é realmente um cenário diferente. Podemos observar fauna e flora próprias deste meio salubre e quem quiser apanhar passarada na objectiva tem por onde se entreter. Como também uso este caminho para a bicicleta, noto à algum tempo uma alteração, a meu ver negativa, neste caminho. Existem muitos terrenos privados e os proprietários vão transformando a pouco e pouco esses terrenos em micro – quintas. Alguns metros quadrados com vegetação e uma mesa para o almoço. Depois vedam o acesso. Se do lado da povoação já é piroso quanto baste, o pior é quando isso acontece do lado da Ria impedindo o acesso à margem e estragando o panorama. Ao menos que fosse realmente uma quinta!

Lixo na Ria

Lixo na Ria

Assim que se afasta das margens em direcção à colónia agrícola da Gafanha, começo a deixar de achar muita piada, pelo menos até entrar no pinhal mas é um mal necessário para ter acesso à floresta. Também menos positivo é a quantidade de lixo depositada nas margens da Ria. Quanto ao resto não me vou pronunciar. Apesar de ter caminhado pela floresta não foi pelo sitio certo e não fiquei com boa impressão. Quando passar no caminho certo posso escrever.
Não consegui encontrar online o panfleto do percurso mas fica a ligação para o blog da HERA, um dos parceiros do projecto.

Localização do PR3 – Entre a Ria e a Floresta

PR4 – Rota dos Caleiros – Percursos Pedestres da Serra do Caramulo

Quando faço alguma espécie de pausa do dia a dia tento fugir dos destinos normais e enveredar por actividades que me façam realmente bem. Tive a sorte de conseguir emprestada uma pequena mas simpática casinha de pedra na Serra do Caramulo. Já tinha decidido em casa que o percurso a ser feito iria ser o PR4 Rota dos Caleiros, até por uma questão de proximidade ao sitio onde fiquei.
O que é um caleiro? Bem, se não estou em erro é um canal para levar água aos locais onde ela seja precisa. Hoje em dia substituídos por tubos, constroem-se caleiros em metal para apanhar as chuvas dos telhados.

Nuvens nos vales do Caramulo

Nuvens nos vales do Caramulo

A perguica e a estrada que ainda tinha que se fazer de carro fez com que a caminhada só tivesse inicio para lá das 9 da manhã, não no local habitual, a base do Caramulinho, ponto mais alto com sensivelmente 1075 metros, mas um pouco lá mais para a frente, num largo da eólica, para fugir ao pessoal de salto alto que vai visitar o Caramulinho. Aliás, desagrada-me bastante que existam estradas alcatroadas até estes sítios. Apesar da hora o dia apresentava-se nublado, as nuvens engoliam os cumes e os vales tornando a paisagem fresca e inspiradora.
Também fiz o percurso ao contrário do predefinido, ou seja, afastando-me do Caramulinho em direcção a Cadraço. Os trilhos antigos em pedra estão presentes em grande parte do percurso e levam-me a imaginar como seria (ainda mais) difícil a vida de outros tempos por estas paragens.
A pedra nua pode ser motivo de divertimento. Muitas vezes vejo-me parado a discutir com o que é que se parece aquele monte de pedras esculpido pela erosão ao longo dos milhares de anos. Uma pessoa, um sapo, um dragão, enfim. Esta beleza da pedra não se pode explicar. É preciso estar lá, respirar o ar puro, sentir a paz, o silêncio para perceber de que se fala.
Entretanto chegado a Pedrogão vi algo que não sei se me deixa ou não um pouco transtornado. Já se sabe que apesar da proximidade de vilas e cidades estas aldeias estão um pouco esquecidas. É normal ver garotos de botas de trabalho, muitos possivelmente guardam rebanhos. Não tem nada de mal, irão ser bem mais saudáveis que os garotos da cidade, pelo menos teoricamente. Bem, já me estou a esticar, a imagem que queria transmitir é: um desses garotos a ir ao correio e vir para casa com um Laguna à porta. Algo está mal nesta paisagem.

Vista da capela de Jueus

Vista da capela de Jueus

Entre pedra (note-se a grande pedra em equilíbrio próximo de Pedrogão, capelinhas, animais (domésticos e não domésticos se tivermos sorte), alminhas ou pelo menos o que eu penso que sejam alminhas chegamos a Jueus e da sua capela, além do interesse histórico, temos um ponto de vista magnifico para o vale onde aliás se podem ver restos de uma outra povoação de nome Carvalhal onde passa um caminho de pedra que serpenteia encosta abaixo.
Por esta zona também se podem observar moinhos. A água é uma presença constante, transparente e barulhenta mais um elemento da pureza da montanha. Novamente as casas ficam para trás e daqui até ao Caramulinho predominam as formações rochosas e quase não se dá pela estrada alcatroda que se dirige para Malhapão de Cima. O trilho/estradão que liga esta estrada ao Caramulinho é particularmente rochoso e chegados ao estradão existe uma mistura de paisagem rochosa com pastagens para o gado. Este pequena parte já a tinha feito de bicicleta na subida ao Caramulinho e verdade seja dita, andei todos os 8kms do percurso a pensar em levar para ali a bicicleta. Por falar em bicicleta, mais uma vez encontrei fitas de eventos de BTT. Felizmente ainda não existe muito lixo nesta serra e é triste que o que seja encontrado no percurso tenha exactamente a ver com uma actividade de contacto com a natureza.
Chegado ao Caramulinho encontrei as já típicas personagens de salto alto e gel no cabelo a subir as escadas que levam aos 1075 metros de altitude mais coisa menos coisa. Curiosamente a fazer o percurso pedestre só encontrei um grupo de duas pessoas.
Concluindo é um percurso que se faz sem grande dificuldade, extremamente bonito e de uma paz impressionante. Querendo, pode-se demorar o dia todo quer saindo dos trilhos e explorando novos recantos quer parando para observar todos os pormenores da paisagem, flora e fauna.
O dia seguinte não foi muito animado: frio chuva e neve não me puseram à vontade para explorar mais um bocadinho. Sou fraco.

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