Uma viagem pela estrada Panamericana é, para mim, o Santo Graal do ciclismo de aventura, cicloturismo ou como lhe quiserem chamar. E é feita por um português, o Nuno, muitas vezes acompanhado de uma portuguesa, a Joana.
Por acaso aqui à uns tempos ia a conduzir de noite, deviam ser perto da três da manhã, quando me apercebo que estava a ouvir uma entrevista à Joana. Já não sei qual era a estação mas sei que fiquei bem atento a ouvir o relato, é sempre diferente de ler. Ah, a Joana nessa entrevista disse uma grande calinada que me fez rir bastante mas não vou aqui dizer o que foi, até porque já não me lembro bem das palavras exactas.
O Nuno tem uma colecção de aventuras de fazer inveja a qualquer um que tenha dentro de si essa vontade. Agora que está para breve o fim desta aventura, com certeza muito faltará contar, muito faltará ouvir. Façam um esforço para ler o que já está no blogue. Ler e ver as magnificas fotografias. A que aqui está é só um exemplo muito pequenino, espero que vão ver o resto. É completamente viciante. Tanto que um colega me disse “epá, vamos dar as boas vindas ao Nuno a Leiria”… de facto merece mais que qualquer equipa de futebol.


É nos dias 14 e 15 de Março em Ferraria de S. João que é inaugurado o primeiro Centro de BTT das Aldeias do Xisto. Uma infrastrutura muito bem vinda que prova que o BTT além de desporto da moda que alimenta os bolsos de organizadores de eventos, é uma actividade de lazer de um punhado de gente que apenas querem saber de andar de bicicleta.
A C.M. Penela destaca a inauguração do primeiro centro de btt e apresenta o programa, que me surpreende por ser bastante completo e repartido em dois dias.
Eventos de BTT organizados não me costumam chamar muito à atenção. Gosto mais dos desorganizados cá pela malta! Mas este ano existe um cartaz que me desperta alguma curiosidade e interesse. Se os meus joelhos assim o permitirem e se arranjar GPS sou muito bem capaz de ir a este passeio organizado pelo grupo BTTralhos. Em autonomia completa, pela serra do Sicó, guiado por GPS, tem um espírito aventureiro que me agrada. Não consigo é convencer ninguém a ir! É precisa uma inscrição apesar de tudo. Consultar o site do 1º Desafio BTTralhos “À Conquista de Roma”

Dói-me os joelhos a andar de btt. Já não sei em que posição devo meter os cleats. Daqui a bocado dou-lhe mais uma afinação e segunda mais um teste. Se isto assim continuar ainda volto aos pedais de plataforma. Isso ou é mesmo falta de andar mais!
A Mavic lançou uma linha de pedais magnéticos. Uns tais de EZRide. O conceito é interessante, pena serem tão mas tão feios! Além de que parece-me não serem muito eficientes quando o pé está na ascensão.

Mavic EZ Ride
Ontem foi dia de uma voltinha de btt regular em torno da Pateira de Fermentelos. Depois das chuvas e das inundações as pernas já choram por se esticar.
Os caminhos estão mudados, como é normal depois de fortes chuvadas. O pior é o lixo que as cheias deixaram nas margens do lago. Garrafas, garrafinhas e garrafões, tudo o que deitamos fora a agua traz de novo para nos lembrar que estamos a fazer mal a nós próprios. Além disso os ramos deixados pelas cheias deixaram alguns caminhos totalmente obstruídos.

Pateira de Fermentelos
Imagem de Jacinto Policarpo
No passado dia 4 de Janeiro lá fui dar umas voltas pelo Grupo Desportivo de Verdemilho. Acordei cedo mas o dia estava destinado a azares: cheguei em cima da hora, esqueci-me do saco com as ofertas em cima de uma cadeira, furei a 2kms da meta e o liquido anti furo não resolveu a questão, deixei as meias no balneário e esqueci-me do casaco em casa!! Sorte estarem alguns raios de sol marotos.
Bem, quanto ao raid: sempre a direito.. para bater médias. Começou com estradão de buracos com alcatrão!! O pessoal das rigidas começou a ir pela borda por causa das costas. Depois veio a lama! Carradas dela. Não existe realmente muito para contar. Fui na desportiva como sempre e ia encontrando pelo caminho colegas de outras andanças. O que mais gozo me dá é ultrapassar pessoal com altas máquinas e eu no meu tractor! Acabei em 96 da geral ou qualquer coisa assim.
Os balneáres do parque de campismo Vila Caia estavam à disposição mas muito pequeninos. Apesar disso eram vários e nem esperei muito tempo. O almoço e convivio final não tiveram falhas de maior.
Como dizia o Sérgio foi um encontro que correu a 99%! Bem haja ao pessoal organizador.
Mais uma sugestão maluca do pessoal de S. Jão de Ver que recebi com algum entusiasmo: um nocturno sob o tema halloween das 00:00 às 8:00 da manhã! Não é que seja muito dado a essa festividade até porque é importada mas advinhava-se uma noite de paródia! Entretanto fiquei lesionado mas como já tinha dito que sim, alinhei na mesma, devagar se vai ao longe. Tive a excelente ideia de enfiar uma abóbora na cabeça, que dizer, não tão excelente porque apesar do tempo que passei a raspar ainda pesava um pouco. O que vale é que o recheio já fez uma sopa e uma tarte!! Ao menos causei sensação por onde passei.
Sai de Aveiro pelas 10:30 e mesmo assim depois de algumas voltas mal dadas para chegar ao ponto de encontro cheguei uns 5 minutos atrasado. Às 00:15 do dia 1 começou a pedalada. O frio não era tanto como eu estava à espera, ainda bem porque fui de calções normais.
Quanto a episódios caricatos: na primeira roulote que paramos para o reforço o homem diz que as bicicletas tem que ficar fora do recinto da roulote. E ficaram, mesmo muito longe porque agarrámos nelas e fomos para outra freguesia. Pela boca morre o peixe e ficou sem 40€. O amanhecer foi em S. João de Ver, num parque junto a umas piscinas. A fazer? Uns a empinar cervejas, outros a empinar bolos! Outros as duas coisas! Dai para uma pastelaria que quando souber o nome ponho aqui pois certamente mereçe: ofereçeu o café e uma regueifa com manteiga!! A esta hora, umas 7 da manhã, o frio já se fazia sentir de maneira diferente e o facto de andarmos sempre a parar sem sitíos quentes não ajudava muito. Por esta altura já tinha trocado para as luvas de inverno.
Sobre o percurso não posso falar muito porque de noite e sem conheçimento da zona não sei bem por onde andei. Posso dizer que gostei bastante dos trilhos da zona e fica prometida uma visita com tempo seco e de dia. Digo tempo seco porque a lama foi muita. Foi talvez o terreno molhado, ou melhor, pedras molhadas que proporcionou algumas quedas e uma bastande dolorosa pelos vistos.
Quanto a mim tentei gerir o esforço, sempre em mudanças baixas a pedalar em seco e não me afectou demasiado o joelho. Até breve pessoal das volt1nh@s!
Relato e fotos nofórum btt!
Cleats ajustados, atitude positiva e lá fui eu experimentar o arranjinho. Acabei por decidir percorrer o estradão paralelo à ria para sul, direito a Vagos. É um passeio bonito e agradável sem qualquer dificuldade e vai tendo umas pequenas lombas para brincar.
A principio senti-me bastante confortável, estava a utilizar uma cadencia elevada para aproveitar os pequenos saltos da estrada e o joelho portava-se lindamente! Na Vagueira subi um pouco o selim, a estrada torna-se mais plana e queria imprimir um andamento mais forte. Nesta posição notei alguma comichão no joelho que não chegava a ser dor e em parte atribui isso á falta de habituação dos músculos aquela posição. A verdade é que cheguei à Gafanha do Areão muito contente, tão contente que perdi um tempinho a treinar os cavalinhos e éguas com mudança de direcção e outras avarias, devo confessar que sou um tanto ou quanto nabo nesse aspecto, até ir com o rabo ao chão!
Acabou-se a brincadeira e entrei no alcatrão. Entusiasmei-me e as coisas começaram a correr mal. O joelho não aguentou. Não deveria ter abusado tanto. Ah, perdi um parafuso de um cleat! Tinha aquilo bastante mal apertado. O regresso a Aveiro foi bastante penoso e só me condenava a mim mesmo por não ter parado quando devia, arruinei o trabalho de descanso prévio.
Sou daquelas pessoas que tenta a todo o custo evitar hospitais. Por já ter lá passado algum tempo, pelo tempo de espera e por não confiar nos mesmos. Quando realmente preciso vou, sempre que possível, a Coimbra, ao hospital dos covões.
Nos últimos dias, por causa do joelho e por não haver orçamento para ir a Coimbra, resolvi tentar a minha sorte no hospital de Aveiro. Sim, infelizmente é preciso sorte. Ainda estava na minha memoria o episódio de ter sido atendido por uma médica estrangeira com unhas compridas pintadas de vermelho, obesa, facilmente confundida com uma prostitua reles. Dessa vez a única coisa que percebi foi “tem que ir ao médico de família”. Também tenho presente na memória a carta que recebi deste mesmo hospital indicando duas taxas moderados por pagar quando uma delas estava paga e a outra não paguei… porque o meu cartão tinha dados incorrectos! A carta deve ter sido queimada.
Surpreendentemente não demorou muito até ser visto por um ortopedista. Quando me chamaram entrei no gabinete e fiquei de pé sem saber muito bem que fazer, ninguém me ligava nenhuma. O cenário era o seguinte: um médico à secretaria, outro na cadeira do paciente e outro encostado à parede. Conversavam. Outra pessoa perguntou-me o que é que eu queria. Respondi que me tinham chamado. Mais um pouco a olhar para o cenário e lá me perguntaram o que é que tinha. Expliquei tudo desde o principio incluindo a afinação dos cleats. No fim o suposto doutor com a maior cara de estúpido pergunta: então e depois? Respondo: depois vim aqui!! A minha vontade era já de fazer uma cena e não seria a primeira vez que o faria. Mandou-me deitar para analisar e acabou por me dizer que não me dói onde eu digo que dói mas noutro sitio. Então mas eu sou um velhinho entrevado que não sei onde me dói? Lá insisti que estava ali algo inchado e a resposta do senhor doutor: Temos direito a ser diferentes! Disse-me ainda que eu tinha uma sobrecarga nos joelhos… ora ai está uma novidade do caraças, vale a pena ir ao hospital, sim senhores! Que eu tinha que ir ao médico de família para fazer um TAC ao joelho, que ali não tinham TAC e depois ir a uma consulta (um estádio compraria quantas máquinas de TAC mesmo?). Ora com certeza que se eu lhe pagasse 75€ por uma consulta o atendimento seria bem diferente. O que ele queria ouvir era isso… que eu lhe pergunta-se onde ir à consulta. Receitou-me uns comprimidos que não vou tomar porque não me explicou para que servem.
Agora vou ver se consigo a credencial para o TAC na médica de família que está a 100kms de distancia. Na melhor das hipóteses só dia 6. Isto deveria ser um problema visto na hora. Até dia 6 melhoro consideravelmente. Depois disso procurar um ortopedista, mesmo estando eu sem um centavo para gastar. Isto é o que recebemos pelos descontos que fazemos do ordenado.
Agora comparem com a experiência de um estudante erasmus… assumindo que alguém vai ler o que escrevi!
Quando os montei os cleats cheguei-os totalmente para a frente, mais ou menos centrados e siga. Nunca tive dores. Mas no outro dia ao fazer Aveiro-Sernada-eólica e por ai fora apercebo-me que na subida para a eólica o joelho direito me ia a doer do lado exterior. Ora a mim parece-me uma dor na extremidade superior da fíbula. A verdade é que tenho descansado, em duas semanas andei uns 10 minutos de bicicleta e só ontem fiz um passeio muito lento e a dor está lá! Será culpa dos cleats ou lesão devido ao esforço? Já lhe dei um ajuste e vou experimentar a nova posição… aliás vou levar uma chave e dar um passeio amanhã para achar a melhor posição. Posso correr meia hora que não afecta significativamente a dor, só mesmo ao pedalar ou por-me de cócoras. Estou um tanto ou quanto frustrado com a situação, espero mesmo que se resolva com o arranjo dos cleats.
Já agora, para quem está fora do mundo das bicicletas: os cleats são umas pequenas peças de metal que estão aparafusadas aos sapatos. Estas peças encaixam no pedal de modo a aproveitar muito melhor a força exercida pelo ciclista e ter um melhor controlo sobre a bicicleta. Essa peça tem ajuste em dois eixos e rotação de modo a que o pé fique colocado na sua posição natural. O posiçionamento incorrecto dessa peça gera problemas a nivel do joelho pois força-o a uma rotação não natural.
Por norma não participo em provas, maratonas ou como lhe quizerem chamar. Primeiro porque são demasiado caras. Segundo porque tenho uma bicicleta muito pouco orientada para esse tipo de andamento, onde as bicicletas de XC são rainhas. O campeonato é iniciativa da Inatel – Delegação de Viseu.
No entanto depois de me massacrarem a cabeça uns dias para ir a S. João do Monte, que seria o meu tipo de terreno, que seria barato, que seria uma coisa engraçada lá fui. Também convencido pelo convite de passar uma noite numa casinha de pedra da serra. O meu obrigado ao Sérgio do grupo desportivo de verdemilho.
A verdade é que não me arrependo nada de ter ido. O preço de inscrição foram 3.5€ onde se incluia:
- Reforços bem abastecidos
- Almoço sem restrições
- Banhos
- Prémios
Do meu ponto de vista toda a organização está de parabéns pois tornou o btt acessível a todos, não sobrecarregando os participantes com custos sobre o que é oferecido, como aconteçe na maior parte dos casos. Além de serem sempre simpáticos e prestáveis.
As marcações do percurso abundavam e estavam bem visíveis na maioria do percurso e só por distracção segui em frente onde era para virar, felizmente o “homem da moto” avisou-me logo e não me perdi como chegou a aconteçer a alguns. A maior parte dos cruzamentos no alcatrão tinham pessoas da organização. As pessoas das aldeias estavam a ver passar os ciclistas e a dar força o que é sempre agradável.
As subidas, essas malandras, foram mais que muitas ora em estradões, ora em caminhos mais irregulares. Lembro-me perfeitamente de uma altura que seguia sozinho e olhava para cima, pensava “vou ter que subir este monte?” .. e tive mesmo que subir, quase sempre em primeira, não via ninguém à frente, não via ninguém atrás, lá fui pedalando sem me chatear muito até porque por esta altura já tinha um joelho a rebentar, parece-me uma dor na fíbula (não sei se estou a dizer asneira) que me anda a preocupar bastante. Também me lembro de ter que desmontar por alguns bocados, o cansaço já era demasiado e ia mais depressa a pé do que em cima da burra. Na segunda picadela disseram “epá, este gajo foi o primeiro que passou sem desmontar”, isto relativo a uma pedra que passava por cima de um riacho, uns metros a subir algo técnicos. Claro que me deu algum animo!
Quanto às descidas.. ora, começaram logo por ser umas descidas algo perigosas e eu ainda não tinha os olhos bem abertos… não fui ao chão mais não faltou muito. Nem todos tiveram a mesma sorte. Depois vieram as descidas em alcatrão para atingir velocidades elevadas com curvas apertadas. Detesto isso! Prefiro a sensação de velocidade do que a velocidade em si. E a verdade é que me ia espetando contra uns eucaliptos, entrei na curva por fora e com velocidade a mais. Cheguei ao fim deste pedaço com os discos a ferver e um cheirinho a queimado! Depois foram apareçendo outras, mais ou menos perigosas, com mais ou menos pedra, umas que valeram dropouts partidos, outras mais suaves. Mas de entre todas as descidas a ultima fez a adrenalina disparar. Andei alguns km a tentar ultrapassar dois ou três colegas do pedal sem sucesso. Foi esta ultima descida que me deu a hipótese de subir uns lugares na classificação. Terreno bastante irregular, pedras grandes, valinhas, pequenos saltos… foi onde gozei os 160mm da suspensão que levei e que tanto me faz penar nas subidas. Não tive que escolher o melhor caminho, apenas escolher um caminho e deixar a bicicleta trabalhar.
No fim de contas consegui um lugar muito melhor do que esperava, um 17ª e tenho que confessar que senti a picada do bichinho da competição.
Para o ano lá estarei! As fotos, essas, estão-se a vestir.