Oct 26, 2008
Todo empenado, parte 2 e 3
Cleats ajustados, atitude positiva e lá fui eu experimentar o arranjinho. Acabei por decidir percorrer o estradão paralelo à ria para sul, direito a Vagos. É um passeio bonito e agradável sem qualquer dificuldade e vai tendo umas pequenas lombas para brincar.
A principio senti-me bastante confortável, estava a utilizar uma cadencia elevada para aproveitar os pequenos saltos da estrada e o joelho portava-se lindamente! Na Vagueira subi um pouco o selim, a estrada torna-se mais plana e queria imprimir um andamento mais forte. Nesta posição notei alguma comichão no joelho que não chegava a ser dor e em parte atribui isso á falta de habituação dos músculos aquela posição. A verdade é que cheguei à Gafanha do Areão muito contente, tão contente que perdi um tempinho a treinar os cavalinhos e éguas com mudança de direcção e outras avarias, devo confessar que sou um tanto ou quanto nabo nesse aspecto, até ir com o rabo ao chão!
Acabou-se a brincadeira e entrei no alcatrão. Entusiasmei-me e as coisas começaram a correr mal. O joelho não aguentou. Não deveria ter abusado tanto. Ah, perdi um parafuso de um cleat! Tinha aquilo bastante mal apertado. O regresso a Aveiro foi bastante penoso e só me condenava a mim mesmo por não ter parado quando devia, arruinei o trabalho de descanso prévio.
Sou daquelas pessoas que tenta a todo o custo evitar hospitais. Por já ter lá passado algum tempo, pelo tempo de espera e por não confiar nos mesmos. Quando realmente preciso vou, sempre que possível, a Coimbra, ao hospital dos covões.
Nos últimos dias, por causa do joelho e por não haver orçamento para ir a Coimbra, resolvi tentar a minha sorte no hospital de Aveiro. Sim, infelizmente é preciso sorte. Ainda estava na minha memoria o episódio de ter sido atendido por uma médica estrangeira com unhas compridas pintadas de vermelho, obesa, facilmente confundida com uma prostitua reles. Dessa vez a única coisa que percebi foi “tem que ir ao médico de família”. Também tenho presente na memória a carta que recebi deste mesmo hospital indicando duas taxas moderados por pagar quando uma delas estava paga e a outra não paguei… porque o meu cartão tinha dados incorrectos! A carta deve ter sido queimada.
Surpreendentemente não demorou muito até ser visto por um ortopedista. Quando me chamaram entrei no gabinete e fiquei de pé sem saber muito bem que fazer, ninguém me ligava nenhuma. O cenário era o seguinte: um médico à secretaria, outro na cadeira do paciente e outro encostado à parede. Conversavam. Outra pessoa perguntou-me o que é que eu queria. Respondi que me tinham chamado. Mais um pouco a olhar para o cenário e lá me perguntaram o que é que tinha. Expliquei tudo desde o principio incluindo a afinação dos cleats. No fim o suposto doutor com a maior cara de estúpido pergunta: então e depois? Respondo: depois vim aqui!! A minha vontade era já de fazer uma cena e não seria a primeira vez que o faria. Mandou-me deitar para analisar e acabou por me dizer que não me dói onde eu digo que dói mas noutro sitio. Então mas eu sou um velhinho entrevado que não sei onde me dói? Lá insisti que estava ali algo inchado e a resposta do senhor doutor: Temos direito a ser diferentes! Disse-me ainda que eu tinha uma sobrecarga nos joelhos… ora ai está uma novidade do caraças, vale a pena ir ao hospital, sim senhores! Que eu tinha que ir ao médico de família para fazer um TAC ao joelho, que ali não tinham TAC e depois ir a uma consulta (um estádio compraria quantas máquinas de TAC mesmo?). Ora com certeza que se eu lhe pagasse 75€ por uma consulta o atendimento seria bem diferente. O que ele queria ouvir era isso… que eu lhe pergunta-se onde ir à consulta. Receitou-me uns comprimidos que não vou tomar porque não me explicou para que servem.
Agora vou ver se consigo a credencial para o TAC na médica de família que está a 100kms de distancia. Na melhor das hipóteses só dia 6. Isto deveria ser um problema visto na hora. Até dia 6 melhoro consideravelmente. Depois disso procurar um ortopedista, mesmo estando eu sem um centavo para gastar. Isto é o que recebemos pelos descontos que fazemos do ordenado.
Agora comparem com a experiência de um estudante erasmus… assumindo que alguém vai ler o que escrevi!
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Infelizmente compreendo bem o que passaste pois também já passei algumas vezes pelas mãos dos incompetentes médicos do hospital de Aveiro, sim porque até hoje não posso dizer que tenha tido alguma situação lá em que tenha ficado satisfeito…
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