
Se existem noticias que nos fazem dar um pulo na cadeira esta é uma delas, no que a BTT diz respeito. Já se sabe o que a malta do BTT Vouzela não brinca em serviço nos seus passeios ao longo do ano. Imaginem agora a dose em 100kms de BTT. Advinha-se já um dos melhores dias de BTT do ano de 2010, dia 30 de Janeiro de 2010. Mais uma vez, o nome desta aventura assenta na história de Portugal e num dos monumentos daquela região, a torre da Alcofra. Seguir o tópico do BTT Challenge Series A fuga dos Soldados no fórum BTT para todas as informações e reacções. Só espero estar em forma para participar nesta grande aventura, sei que será muito muito exigente fisicamente.
Vouzela tem-me servido como tratamento de choque. Quando montei a minha actual bicicleta de btt e me reiniciei neste desporto, qual foi a primeira coisa que fiz? Ir a Vouzela. Não fazia ideia de como era aquilo, apanhei um grande empeno. Mas estava calor e a coisa fez-se apesar de não pedalar a sério à quatro anos. Isto em 2007. O Verão de 2009 também não foi verão de grandes pedaladas e isso nota-se perfeitamente na minha forma arredondada. Para exorcizar estes hábitos pouco saudáveis (afinal a bicicleta é cara, não é para estar parada), toca de ir a Vouzela.
A pequena viagem para lá não foi muito animadora. Chuva forte e granizo na estrada não davam muita vontade de pedalar. Mas quando passaram carros por mim com as bicicletas em cima pensei “afinal não sou o único tolo” e não dei meia volta à carroça. Mesmo assim, já estacionado perto das piscinas, estive vai e não vai e só me decidi a pedalar à ultima da hora. Até me esqueci de dar o nome.
A primeira parte do percurso fez-me pela antiga linha de comboio de Vouzela até S. Miguel do Mato. Este caminho já eu conheço bem das travessias do Vale do Vouga. Depois da igreja velha de S. Miguel do Mato (já por lá andei a explorar e é um monumento interessante assim como o cemitério, mas a cair) o caminho seguiu pela direita, pelo mato. Uma das coisas em que reparei foram vários marcos de pedra, talvez alminhas, tenho que lá voltar para investigar melhor. Apareceu alguma pedra escorregadia e o pneu GEAX Saguaro que levei, pneu de 12€ se não me engano, não se portou nada mal nem aqui nem noutra ocasião. A frente foi comandada por um imponente Kenda Navegal 2.35… um exagero talvez.
Por esta altura já os pés, mãos e braços se queixavam da chuva e do frio. Mas era preciso continuar e as pequenas amostras de sol faziam acreditar que até ia correr bem, pelo menos até ficar cinzento e chuvoso novamente. Já me esquecia do reforço, um bolo, uma maça e uma barra. Relembro que este evento é grátis e é tudo feito com boa vontade. Além disso oferecem simpatia aos molhos.
O percurso lá seguiu por entre várias aldeias de que não sei o nome, por entre umas subidas e descidas, enganei-me, tive que fazer umas subidas a mais, as pastilhas dos travões, pelo menos a traseira não é para este tempo e outras coisas mas lá se ia avançando. Ah, e atravessar uma ribeira bem funda (vá, um metro) com sapatos de encaixe a tentar não cair das pedras e água bem gelada? Este pessoal de Vouzela é que curte!
Isto tudo foi esquecido em alguns minutos quando me apercebi que estava num single track fabuloso, digno de um filme de btt. Não que fosse demasiado técnico mas a beleza do inverno, as curvas, os sobe e desce… excelente! Isto penso que foi antes de Fataunços, acabava numa pequena ponte de pedra, tenho que pedir a localização GPS desta maravilha.
Foi mesmo depois deste track, na zona de Fataunços que desisti debaixo de chuva. O frio era demasiado (ainda se fosse só frio e estivesse seco) e a minha opção com mais dois colegas do pedal foi seguir por alcatrão até Vouzela. Não demorou muito até estar debaixo do chuveiro de água quente a tentar reanimar os pés e a arrancar areia do cabelo.
Este tipo de tempo e de percurso não é muito saudável para a bicicleta mas faz tudo parte do BTT. Com certeza o almoço convÃvio animou a malta mas, apesar de depois me arrepender, não fui. O pessoal de Vouzela sabe bem receber e quem corre por gosto não cansa!
Até à próxima!
A rapaziada dos lados de Vouzela organizou já para o próximo fim de semana, dia 29 de Novembro, mais um encontro de btt daqueles mesmo mesmo bons e à borla! Já por aqui falei da qualidade de acolhimento e trilhos que aquela malta proporciona. Decorre em simultâneo um passeio pedestre para acompanhantes.

Interessante? Continuar a ler BTT Vouzela, encontro de Novembro

Os nervos acompanharam a chegada do dia deste evento. Não sei bem porquê mas não me senti totalmente confiante. Afinal seriam mais de 200kms em cima de uma bicicleta de BTT e penso que é de assustar qualquer um.
Toca o despertador às 6:30 da manhã. Tinha dormido mal, muitas voltas na cama, uns olhos inchados, um acordar nada animador. Um pequeno almoço de Nestum com pedaços de banana serviu de base ao longo dia que ai vinha.
Pouco antes das 7 da manhã começei a dar as primeiras pedaladas. Caia uma chuva miúda tipo chuva molha parvos. Neste caso o parvo era eu! Encontrei-me com o Afono, homem das ultras, e fomos apanhar outro colega a Angeja. Daqui a Albergaria foi um tiro, sempre acompanhados da chuvinha que acabou por molhar mesmo!
Depois de um café foi só levantar o dorsal, sempre muito bem conseguido esteticamente, cumprimentar pessoal conhecido, escutar meia dúzia de palavras da organização e siga para a linha que o comboio já está atrasado. Depressa se chega a Sernada do Vouga e dai à ecopista (desperdÃcio de dinheiro) são uns minutos de alcatrão. Por esta altura ainda fazia tudo parte do mesmo comboio, mais coisa menos coisa. À medida que os kms passam vão formando grupos com andamentos diferentes, como é normal e as aventuras de uns acabam por ser diferentes das aventuras de outros. O meu grupo acabou formado por pyrata, illuminatos, salgado52 e afonso (nicks do fórumbtt). Infelizmente o afonso acabou por regressar mais cedo, em Real das Donas. Outros foram pedalando connosco e é esse um dos pontos mais importantes destas aventuras.
Como não é a primeira vez que faço este caminho, é interessante observar as mudanças na paisagem, na própria linha, nas casas que a rodeiam e nas estações. Poucas são as recuperadas e muitas são as vandalizadas. Existe uma estação curiosa, aproveitada pela população como bem entende, com muita roupa a secar.
Perto de Viseu o GPS manda-nos para a direita. Mas que raio… bem, todos estavam a ir por lá, vamos também. Foi um sobe e desce que naquela altura pareceu-nos complicado, o desgaste já era grande e a hora tardia. Chegamos a Viseu pelas 14h se não me engano. Apesar dos meus companheiros terem abastecimentos na mochila, eu não queria passar sem um almoço decente e assim fomos todos para um restaurante, que se revelou uma boa escolha. De facto, vinha-se a verificar que seria o destino de muitos. Depois dos chocos grelhados e do gelado era já hora de tomar o caminho de regresso.
Optamos pelo alcatrão como forma de retomar a linha. Apesar do percurso de volta ser bastante descendente, as horas em cima da bicicleta fizeram-se sentir o que levou a mais e demoradas paragens. Primeiro em Vouzela onde encontramos o Hernani dos Cagaréus e depois em Paradela, onde tive um furo e onde também me abasteci de nectarinas e pão! Fruta com pão é uma mistura deliciosa! Menos positivo foram os encontros com veÃculos motorizados, nomeadamente pessoal do motocross que nos ia passando a ferro. Porque é que a partir do momento em que alguém tem um motor nas mão passa a ser burro? Estou a generalizar, já encontrei grupos de motocross muito cuidadosos.
Bem, lá se chegou a Sernada do Vouga. Uns foram para Albergaria, eu e o pyrata seguimos o rio Vouga. Mais um furo! Comecei a ficar chateado e a vontade de chegar a casa era tanta que fui buscar o resto das forças para pedalar bem pelos campos de milho fora! O pyrata é que já ia mais em baixo. Não faz mal, durante o dia andou quase sempre à minha frente!
Resumindo, 208kms, 10h40m em cima da bicicleta. Mais uma vez o selim Selle Italia Yutaak Gel Flow revelou-se uma aposta vencedora para este tipo de travessia. Fiquei contente por ter superado este desafio principalmente porque não confiava na minha perna direita. Venha o próximo.
BTT. Bicicleta de todo o terreno. Por todo o terreno entendo barro, lama, pó, terra compacta, pedra solta, pedra presa e até alcatrão. É nesta perspectiva que encaro este desporto não me negando a fazer nada, com mais ou menos à vontade, mais ou menos dificuldade quer goste ou não do terreno que se mostra à minha frente.
Arranquei cedo no domingo direito a Vouzela, quase não deixei ninguém tomar o pequeno almoço. Gosto de estar e arrancar a horas. Acontece que nem toda a gente pensa assim e quando cheguei ao campo de futebol de Campia não se via alma. Reparo agora que está anunciado o encontro para a escola de Ensino Básico mas em nenhum dos locais havia recepção. Só mais tarde apareceu alguém de moto 4. No entanto podemos ler na noticia original do BTT Vouzela:
O secretariado estará aberto desde as 8h até à hora da partida, que será às 9 horas em ponto, em respeito pelos betetistas que a essa hora já estão prontos para iniciar a prova.
Nenhum dos pontos foi respeitado e aconselho vivamente a organização a não falhar nestes aspectos assim como a acertar agulhas com os promotores das caminhadas para acompanhantes. A partida foi mais para o lado das 9:30.
Depois de um pequeno engano inicial lá se acertou no caminho e as coisas começavam a rolar dentro da normalidade.
Assustei-me, via pinheiros e caminhos aos quais estava habituado e não serviam o propósito da minha deslocação. Nesta zona pedalei com pessoal do BTT Albergaria mas depressa os deixei, não estávamos com ritmos iguais. Não demorou muito tempo a sentir o cheiro da vegetação da serra e o meu animo levantou imediatamente. Ainda teria que passar por alcatrão e enfrentar subidas duras das quais a ultima me levanta duvidas se alguém a subiu montado. Mesmo assim, estradões e alcatrão não eram os motivos que me levavam ali apesar das vistas. Eu queria era pedra! E pedra recebi! Primeiro com descidas que fiz cuidadosamente pois a vegetação podia ser traiçoeira e não queria passar por cima da bicicleta. Talvez demasiado cuidadosamente tendo em conta a bicicleta que levava mas quem tem cú tem medo!
Depois do reforço de bolo caseiro, uma pêra e agua com fartura fiz-me à estrada sozinho. Não que me incomode, eu adoro andar sozinho, apenas se torna mais perigoso em caso de queda aparatosa. Estrada como quem diz. A diversão ia continuar por caminhos antigos de pedra, um enduro que põe à prova máquinas e destreza e me faz ter pena de quem leva bicicletas rÃgidas para aquelas pedras assassinas de rins e desviadores. Os 160mm da minha burra ajustavam-se aquele terreno que nem uma luva. Sorria! É só isso que sei dizer, sorria por fazer BTT!
O resto do caminho foi sobretudo muito rolante com uma outra parte mais divertida para animar. Não acho muito divertida é a passagem ao lado da auto estrada nem os pedaços de alcatrão que tinha que percorrer antes do final. E foi só nos kms finais me juntei a alguém do qual não sei o nome e sempre se conversou um pouco até ao campo de futebol.
Chama-se passeio sim, mas numa serra é de esperar outra coisa que não dureza?
Até à próxima BTT Vouzela!

Caminhos de Vouzela
É já este fim de semana, dia 31 de Maio, um passeio que promete ser sempre espectacular. Pela beleza da zona, pelo tipo de terreno, pelo formato do passeio. Apesar de ainda só ter participado uma vez fiquei sempre com a ideia de voltar. Espero bem que seja neste.
Falo do passeio passeio de Maio do BTTVouzela pelo percurso dos Loendros em Campia. São 40km com partida às 9 da manhã. Oferecido reforço que, se bem me lembro, tem bolos bem bem bons! E ainda existem banhos quentes e banhos para bicicletas! Que se pode pedir mais?
Paralelamente existe um percurso pedestre guiado para acompanhantes e antes que me esqueça vou tratar de enviar a inscrição para esta actividade.
Recomenda-se, quem puder é de aparecer.
Este fim de semana juntei-me, a convite, com meia dúzia de ciclistas para fazer a ligação Aveiro – São Pedro do Sul pela antiga linha ferroviária conhecida como linha do Vouga. Seriam entre 75 e 80kms, dependendo do local de arranque, bastante rolantes como é lógico pois o Vouguinha, como era chamado o comboio que fazia aquela linha, não poderia fazer grandes declives. Já tinha feito a ligação Aveiro – Viseu por isso sabia o que me esperava.
O dia começou cedo, cerca das 7 da manhã, estava o sol a raiar. Um sol bastante bonito por acaso que, apesar da hora, dá um certo encanto ao começo de qualquer viagem. E por outro lado faz-nos sentir vencedores quando as pessoas que passam dentro dos seus carros nos olhos como se loucos fosse-mos.

Casa do guarda
O ponto de encontro foi na intersecção da estrada com a ferrovia no local de Eixo. Dai seguimos para a travessia dos campos do Vale do Vouga. Frescos e com terreno direito chega-se a Sernada do Vouga num piscar de olhos. Esta localidade é o ultimo ponto de paragem que o comboio actual realiza antes de se desviar para outro ramal da linha ainda em funcionamento. É a partir daqui que a viagem em cima da antiga linha começa, tarefa nem sempre possÃvel pois alguns troços estão tapados por vegetação, outros foram reclamados por locais como seus, outros estão debaixo de prédios. Neste ponto já havia um desviador e dropout tortos e perdeu-se algum tempo a tentar remediar a situação. Apesar dos poucos conhecimentos acabei por ser o mecânico de serviço. Não que não goste mas fico frustrado quando não consigo resolver alguma situação!

Afinações em Sernada
Um pouco mais à frente apanha-se a Ecopista construÃda sob a linha, um enorme desperdÃcio de dinheiro na minha opinião. Um tapete vermelho com sinais e marcações desde a foz do Rio Mau até à estação de Paradela. Esta pista não vai demorar muito tempo a começar a degradar-se e é apenas o começo: o objectivo é chegar a Viseu. Claro que isso vai ser o fim destas viagens. Ninguém está interessado em pedalar num tapete vermelho perfeitamente plano.
Curiosamente um dos pilares que impossibilita a entrada de automóveis para a ecopista provocou uma queda de um colega que poderia muito facilmente ter consequências piores do que teve.
ConcluÃda a ecopista, mais uma avaria: dropout partido e corrente entalada na cassete. Perdeu-se bastante tempo a tentar retirar a corrente e o colega azarento decidiu seguir em single speed numa relação 42-20 ou algo do género com a corrente demasiado esticada. Com esta relação, a partir dai, raramente o vimos!
A viagem correu sem grandes sobressaltos, apreciando a beleza da paisagem pela manhã (e que beleza!) e as sucessivas estações, a maior parte abandonada, algumas recuperadas… três vivas para a CP por cuidar do seu património… ou talvez não.
Já próximo de Vouzela tive um grande furo que nos valeu mais algum tempo de atraso – algumas zonas da linha conservam ainda as pedras originais, uma dura prova para as suspensões e pneus.
Daqui às termas de S. Pedro do Sul é uma descida refrescante e divertida. No final desta descida é que nos apercebemos que um dos colegas se tinha perdido ao ficar a tirar fotografias à locomotiva em Vouzela. Locomotiva essa que está sujeita às intempéries e não debaixo de telha.
Com todos os problemas acabamos por chegar à estação de S. Pedro do Sul já eram perto de duas da tarde.
Banho e tacho que isso é que se estava a precisar!
Mais fotos no blog do Grupo Desportivo de Verdemilho.
Um percurso pequeno, fácil e bonito. São 7kms circulares onde se pode ficar muito mais tempo do que em percursos mais longos, não fosse esta zona toda muito bonita.
Encontrar a Junta de Freguesia de S. Miguel do Mato foi mais complicado do que eu pensava apesar da informação da Câmara Municipal de Vouzela. Vale sempre a indicação das pessoas do campo, por norma simpáticas. Este edifÃcio é uma antiga estação da linha do Vouga já aqui falada. Felizmente foi aproveitado para outro fim e não deixado ao abandono. E é através dessa linha que se desenrola a maior parte do percurso. Até à encruzilhada que dá para a antiga Igreja Paroquial de S.Miguel do Mato vai-se observando fauna, flora e os vestÃgios do que foi em tempos uma importante linha de ferro. A paisagem lembra por vezes mini desfiladeiros. Convida a caminhar devagar e apreciar cada pedra.
A igreja abandonada, a cair e sem sinais de recuperação é extremamente bonita. Pode-se subir à torre e contemplar toda a paisagem em redor. Ao lado tem um cemitério, para mim bonito, tenho uma certa simpatia com estes lugares e em conjunto com a igreja foi onde passeio a maior parte do tempo a explorar, ler lápides antigas, imaginar.
Voltando à encruzilhada continuamos na linha por mais um bocado até surgir um corte à esquerda que nos vai levar à capela do Senhor da Agonia. Uma capelinha meio incorporada na pedra que merece alguns minutos de atenção.
Seguindo o trilho passamos pelo recinto das festas, nota negativa para algum lixo espalhado. Depressa nos esquecemos desse cenário com a beleza do que se aproxima, principalmente se fizermos este trilho ao cair da folha! Infelizmente um ou outro monte de lixo estraga o quadro.
Chegamos à povoação onde casas tÃpicas da região recuperadas ou não nos dão as boas vindas. E depressa estamos novamente no ponto de partida.
Resumindo, um passeio altamente recomendável! Tirei fotos mas acho que me esqueci de revelar, tenho que encontrar o rolo!
Localização do PR5 Caminho de S. Miguel do Mato – Vouzela
Folheto PR5 Caminho de S. Miguel do Mato