Bicicletas antigas

A procura de bicicletas têm aumentado e de que maneira. As bicicletas antigas não são excepção e os preços sobem até ao ridículo. O pior é que muitas vezes as bicicletas acabam por ser vendidas por esse preço ridículo quer por ganância do vendedor, quer por ignorância do comprador.
Não sei muito bem a que se deve esta procura. Penso cá para mim em possíveis razões. Primeiro a moda do BTT. Sim, hoje é um moda, toda a gente quer fazer BTT para se mostrar desportista, saudável e tal. Nem que seja só dar uma volta na praia e levar o carro com a bicicleta até lá. Mas esta moda é capaz de não ter influência directa nas bicicletas antigas. De qualquer forma muitas lojas de bicicletas, ou melhor, lojas de BTT aproveitam a onda e colocam nas suas montras bicicletas de passeio, bicicletas de criança, réplicas de pasteleiras, enfim, uma confusão que ninguém se entende. É preciso cuidado com esta prática. As lojas que querem abranger uma larga fatia de mercado têm tendência a falir. O futuro está na especialização. À frente, o que interessa aqui são as tais réplicas de bicicletas pasteleiras. Normalmente repletas de material de qualidade inferior são pedidos preços na ordem dos 300€. São bicicletas com componentes vindos do mercado asiático ou de produção descuidada. Para dar um exemplo quando se aperta uma das manetes de travão destas bicicletas, no caso do travão de alavanca, a maior parte da força é perdida nas peças e a que chega ao calço não chega para imobilizar a bicicleta. Que é como quem diz: dobra tudo e não trava nada. Por muito menos dinheiro pode-se arranjar uma bicicleta antiga usada mas de muito melhor qualidade. Por exemplo, ainda um pouco antes desta febre das bicicletas antigas dei 50€ por uma bicicleta pasteleira de 1982 em muito bom estado, aliás, está a andar como a comprei. Não se pode dizer que seja uma bicicleta merecedora de estar numa colecção mas cumpre o objectivo: é robusta, anda e não é cara.
No que diz respeito a bicicletas antigas, existem alguns tipos diferentes e portanto aficcionados de um, alguns ou todos os tipos de bicicletas.

  • Bicicleta Pasteleira: se calhar muitas pessoas questionam-se sobre o que é uma bicicleta pasteleira. Pensava que seria de conhecimento geral mas parece que assim não é e há quem pense que estamos a falar da mulher que faz os bolos! A Bicicleta Pasteleira têm o seu nome da expressão “andar a pastelar” ou seja, andar devagar, andar a fazer tempo. São bicicletas pesadas, robustas, confortáveis que normalmente utilizam uma transmissão de três velocidades. Utilizadas num sem número de profissões marcam toda uma era.
    Bicicleta Pasteleira

    Bicicleta Pasteleira

  • Bicicleta Chopper e Muscle Bike: temos que distinguir duas coisas. A bicicleta chopper moderna e a bicicleta chopper clássica. As duas têm a sua origem no mundo do motociclismo mas enquanto a moderna se assemelha a uma mota sem motor a outra nem por isso. A Raleigh fabricou mesmo um modelo chamado Chopper, um dos seus maiores sucessos. Já as Muscle Bike têm as suas origens mais centradas nos Estados Unidos transpondo o mundo dos automóveis musculados tipicamente americanos para o imaginário das crianças em forma de bicicleta. Na sua maioria são bicicletas de roda 20. O conforto não é o maior trunfo deste tipo de bicicleta antiga. Neste blog existe já uma mostra das minhas três bicicletas deste tipo: uma Esmaltina Fúria com que pedalo frequentemente, uma Ross Apollo Racer e uma Stelber StratoStreak 3.
    Muscle Bike

    Muscle Bike


    Raleigh Chopper

    Raleigh Chopper

  • Bicicletas dobráveis roda 20: este é um outro tipo de bicicleta utilitária. Portugal já produziu bastantes modelos destas bicicletas antes dessa industria entrar em declínio (de onde ainda não saiu). Leves, fáceis de arrumar e muitas vezes também com três velocidades fazem as delicias não só das crianças mas também e principalmente de senhoras que preferem uma bicicleta mais baixa. Tenho três destas bicicletas: uma bicicleta Portuguesa Vilar De Luxo, uma bicicleta Inglesa Triumph Twenty (não dobrável) e uma bicicleta Italiana Ariela.
    Esmaltina M20

    Esmaltina M20

  • Bicicleta de Corrida: este é um mundo sobre o qual pouco sei. O mundo da roda fina tem os seus coleccionadores empenhados em conseguir todos os pormenores originais de uma bicicleta. São bicicletas que exigem carteiras bem recheadas e um gosto muito especial por ciclismo de estrada.

É claro que as categorias de bicicletas antigas não se resumem a estas. Entre umas e outras existem variações, modelos, modas. E ainda cada pais é marcado por um estilo próprio. Uma bicicleta antiga Alemã é muito diferente de uma bicicleta antiga Italiana.
No fim de contas, se não somos coleccionadores, não importa muito. Desde que seja barata, esteja em bom estado e ande é o que é preciso para salvar uma bicicleta antiga. Sinceramente é preferível utilizar as bicicletas antigas no dia a dia do que restaurar apenas para ficarem em exposição, a menos que sejam já peças de museu como esta bicicleta Peugout de 1908.

BTT Challenge Series 4ª Etapa

Tomada dos Fortes

Tomada dos Fortes

Parece que se aproxima a passos largos a 4ª etapa do BTT Challenge Series, desta vez para os lados da Póvoa de Santa Iria no dia 14 de Novembro: Tomada dos Fortes. Interessante? Continuar a ler BTT Challenge Series 4ª Etapa

Bioria – Percurso do Antuã

Antes de mais tenho que dizer uma coisa em que tenho matutado e esquecido de referir noutras entradas no blogue. Não é estritamente necessário que uma zona tenha um trilho para podermos caminhar nessa zona. O planeta está à nossa espera sem trilhos marcados e basta partir para o descobrir. Cresci em zonas rurais, desde pequeno me habituei a ter os meus trilhos e portanto apenas sigo trilhos marcados para poder ter uma opinião sobre o seu traçado.
O Baixo Vouga Lagunar é disto um perfeito exemplo. são quilómetros e quilómetros de caminhos. Não esperem que os marquem, ponham os pés ao caminho e descubram esta zona tão rica. É completamente plana mas o que lhe falta em terreno é compensado pela paisagem, fauna e flora.

Rio Antuã

Rio Antuã

Ora então vamos lá ao trilho pedestre marcado de hoje. O Percurso de Antuã que, como o nome indica, decorrer ao longo do Rio Antuã, o rio mais importante do concelho de Estarreja, com apenas 6kms circulares.
Podemos iniciar o percurso pedestre junto da estação de comboio de Estarreja. Na verdade começa uns metros depois, no Largo do Esteiro de Estarreja mas é possível ir de comboio e ver logo a indicação do percurso.
O percurso é inteiramente composto por largo estradão de terra batida onde as máquinas agrícolas passam de vez em quando. A primeira parte segue a margem do rio, com pouca água mas limpa. Avistam-se campos, gado e aves com frequência, principalmente garças que não andam muito longe do gado bovino. Muitas margens do rio apresentam escavações de lagostins, uma espécie exótica prejudicial.

Campos alagados

Campos alagados

A segunda parte do percurso, depois da estação elevatória, em sentido inverso percorre zonas alagadas, quer repletas de junco quer zonas de arrozais, onde é possível avistar com facilidade diferentes espécies de aves desde cegonhas a águias passando pelos melros e corvos. Claro que os pequenos pardais são os que em maior número se mostram e fazem questão de marcar a sua presença com alegres canções. As borboletas e libelinhas ainda fazem a sua aparição. Os répteis é que não serão lá muito fáceis de avistar. Segundo a informação ao longo do caminho podemos encontrar: verdilhão, toutinegra-dos-valados, malhadinha, borboleta-pequena-da-couve, cavalinho-do-diabo, libélua-ibérica-de-cauda-azul, maravilha, delta-castanha, toirão, doninha, toupeira, lontra, morcego-rato-grande, rato-de-água, cobra-de-água-de-colar, rã-ibérica, tritão-de-ventre-laranja, cobra-de-água-viperina, rã-verde. lagarto-de-água, garça-branca-pequena, guarda-rios, pardal, andorinha-das-chaminés, galinha-de-água, águia-d’asa-redonda. Os mais esquivos são a raposa, cuco, pirilampo-mediterrânico, garça-vermelha, rela (ao tempo que não vejo uma!) e enguia.
Já no fim ainda tempo para molhar os pés no rio apesar da temperatura muito baixa da água.
Conclui-se portanto que é um percurso pedestre para onde é obrigatório levar pelo menos binóculos, à falta de equipamento fotográfico adequado. Recomendado!

Localização do Percurso do Antuã

PR6 – Trilho de Águeda – Percursos Pedestres de Águeda

Confesso que ainda estou a pensar qual foi o propósito da criação deste trilho. Faço já o aviso: trilho muito pouco recomendado. Depois das noticias de sucesso da abertura do trilho de Águeda no passado fim de semana passado, picado pela curiosidade, resolvi experimentar apesar de ficar sempre de pé atras quando os percursos se apresentam muito urbanos. Foi uma perca de tempo. De tal maneira que perdi a vontade e não o completei.
Vamos lá aos factos. O trilho começa junto ao Rio Águeda num espaço mais ou menos agradável. O problema é que não fazia a mínima ideia de que o rio se encontra tão sujo. Água preta, lama preta, pedras pretas, uma visão nada agradável. Alguns passos mais tarde, junto à margem, uma poça enorme de água parada com um cheiro nauseabundo, um nojo muito simplesmente.

Lixo junto ao estádio

Lixo junto ao estádio

Mais um pouco e estamos no estádio. Aqui existe montes de lixo a acompanhar o trilho. As placas desaparecem mas também não existe muito por onde ir. Passam umas moto4 e umas motas de motocross que apesar de circularem devagar deixam no ar uma nuvem venenosa. Avistam-se uma ou outra casa antiga com algum interesse e que eu tanto gosto. É preciso também dizer que a estrada de alcatrão é perigosa sem qualquer espaço para peões mas é exactamente por ai que passa o trilho.

Ponte dos Violantes

Ponte dos Violantes

Depois desta estrada chegamos a um parque de merendas onde está localizado um dos pontos de maior interesse: uma ponto tipo “Himalaia” serve para nos divertirmos um pouco e ver algumas caras assustadas!
Mas as surpresas negativas não se ficam por aqui. Já na outra margem, poucos metros depois da ponte somos interrompidos por uma proprietária do terreno por onde passa o trilho. Dizia ela que o caminho é e sempre foi pela margem do rio e que a margem é para ai no máximo a dois metros do rio. Não se pode portanto passar pelo caminho que está já calcado e onde estão os sinais da caminhada mas sim pela margem que se apresenta cheia de árvores e vegetação rasteira. A mulher que se entenda com a câmara e com quem fez este percurso em cima do joelho, já estava farto de a ouvir. Apenas a avisei que vai por lá passar muita gente.
Não existe muito mais a contar. O resto do caminho tem o rio do lado esquerdo, campos e fábricas do lado direito. Este não é definitivamente um trilho pedestre com a mesma qualidade do Da Pateira ao Águeda. Provavelmente uma visita ao cemitério por onde passa o trilho, já dentro da cidade, teria sido muito mais proveitosa. Fica a fotografia de um pormenor da entrada.

Pormenor cemitério

Pormenor cemitério

Localização do PR6 – Trilho de Águeda

Ria Café Aveiro

Resolvi abrir mais um espaço neste blogue. Já que toca em vários assuntos, mais um não faz mal. Desta vez dirijo as minhas atenções para os cafés, bares e restaurantes que frequento. Para dizer a verdade estou cansado, de todos!
Eu não vou a um café à espera de pagar a bebida. Não vou a um restaurante à espera de pagar a comida. Isso tenho em casa muitas vezes com mais qualidade. Eu pago sim, com muito gosto quando é caso disso, o ambiente, o atendimento, a vista, a decoração.
Hoje quase que me saltava a tampa. À pouco resolvi parar neste estabelecimento, o Ria Café em Aveiro, maldita hora pois foi uma linda maneira de estragar uma noite. Não fazia a mínima ideia que este estabelecimento leva 1€ por café. Podia ser justificado mas é completamente descabido e passo a explicar: apesar do outro lado da ria se mostrarem uns agradáveis edifícios típicos de Aveiro, até lá chegar a vista é assaltada por duas estradas com constante movimento de automóveis, uma das quais com três faixas e a dois metros da esplanada. Quanto ao atendimento, os proprietários dos cafés tem que entender que por uma pessoa por um avental não passa a estar qualificada para trabalhar no ramo. Portanto não estou para pagar 1€ por café e ser atendido por pessoal com calças de ganga, andar apressado e marreco e que me quer levar a chávena ainda com café cinco minutos depois de a terem trazido! Deixem-me a loiça por favor! O café bebe-se frio, com tempo, muito tempo. Ia-me saltando a tampa!
Claro que ninguém me obrigou a lá ir, diriam alguns. Pois a este café-bar não volto não.
Já agora uma nota positiva para os elementos decorativos; quanto à sua disposição não tenho tanta certeza pois não costumo entrar devido ao fumo do tabaco e já não me lembro muito bem para estar a avaliar.

Percurso do Rio Jardim no Baixo Vouga Lagunar

O Percurso do Rio Jardim é um percurso bastante pequeno mas ficou claro que podemos lá passar o dia todo! Este é um percurso que fica dentro do semi-circulo formado pelo Percurso do Bocage sem deixar de ter características próprias. Aos arrozais, onde se nota perfeitamente o pouco uso de pesticidas, segue-se uma torre de observação para dar uso aos binóculos e máquinas fotográficas adequadas.

Campos verdejantes

Campos verdejantes

A este segue-se um corredor verde ladeado por braços de água, campos, caniçais e árvores. Um verdadeiro festival de cores e formas. Quanto à lista de espécies das placas informativas temos: cegonha-branca, tentilhão, salgueiro-branco, milhafre-preto, pardal, peneireiro; um conjunto de insectos composto por: borboleta malhadinha, borboleta-pequena-da-couve, traça-de-cinco-pintas, libélula-ibérica-de-cauda-azul, cavalinho-do-diabo, borboleta-cauda-de-andorinha; junto à torre: caniço, rouxinol-pequeno-dos-caniços, escrevedeira-dos-caniços, acácia-de-espigas, erva-pinheirinha, lagostim-vermelho-de-Lousiana (espéce exótica prejudicial); nos corredores: gaio, pisco-de-peito-ruivo, salgueiro-preto, chapim-carvoeiro, chapim-rabilongo, amieiro, junco-marítimo, doninha, lírio-amarelo-dos-pântanos, cobra-de-água-viperina, rato-de-água, garça-vermelha, tábua-larga, chapim-azul, sapo-parteiro, gineta, pardal-montês, lagarto-de-água, poupa, verdilhão, silva, amieiro, toutinegra-dos-valados e lugre. Mesmo que só se consiga ver algumas destas espécies numa visita normal, é preciso mais motivos para visitar esta zona?

Rã

Esta altura do ano é ainda rica em pequenas rãs que saltam de entre a erva à medida que caminhamos. São muitas, talvez escondidas dos predadores, não fossem elas rápidas a saltar e teríamos que ter cuidado para não as pisar.

Ver localização do Percurso do Rio Jardim

Percurso do Bocage no Baixo Vouga Lagunar

Já à algum tempo que a curiosidade sobre os restantes trilhos pedestres de Salréu me fazia olhar pela janela do Comboio cada vez que passo para aqueles lados. Depois de provar o Percurso de Salréu, o mais comprido e emblemático, chegou finalmente a altura que os meus pés não se contiveram e foram visitar o Percurso do Bocage e Percurso do Rio Jardim, percursos que se repartem por Salréu e Canelas. Um com perto de 4km e outro com 2kms percebe-se logo que são percursos para fazer devagar, observar muito bem o que nos rodeia e por que não, sair dos caminhos marcados para explorar outras zonas. Afinal de contas a zona é totalmente plana. Não sendo circulares é facil saltar de uns para os outros e todos começam e acabam num caminho paralelo à linha de comboio.

Vista

Vista

Comecei pelo percurso do Bocage. Indo de carro e deixando depois da ponte é necessário percorrer cerca de 1km e cruzar com outros trilhos para encontrar o percurso do Bocage, sempre com a serra do nosso lado direito, lá bem longe. Depois é seguir pelos largos, planos e bons caminhos. Tão bons que podemos ter o azar de encontrar veículos automóveis. Na verdade foram duas carrinhas se não estou em erro. Provavelmente das pessoas que trabalham nestes campos por isso não é de condenar. Este local tem características muito próprias de tal maneira que forma um habitat único em Portugal.

Bocage

Bocage

O ambiente Bocage é acima de tudo caracterizado por campos de cultivo separados por sebes vivas, imagem tão característica do romantismo que lhe é associado, portanto é precisamente esta paisagem que encontramos. Não são poucas as vezes que nos penduramos num portão qualquer feito de ramos e o olhar se perde. O olhar e o pensamento. Até nos esquecemos da máquina fotográfica.
São muitas as espécies animais e vegetais que podemos encontrar. Claro que umas são bem mais visíveis que outras mas consta que por lá existem guarda-rios, nenúfares, caniço, galinha-de-água, lagarto-de-água, lontra, morcego-hortelão, garça-real, fuinha-dos-juncos, raposa, águia-d’asa-redonda, pato-real, gado bovino de raça marinhoa (autóctone), pintassilgo, gavião, funcho, mocho-galego, texugo, coruja-do-mato, pica-pau-malhado, pilriteiro, rola-brava, carvalho-roble e pega. Uma lista riquíssima portanto!
Fazendo o caminho no sentido que o fiz, de norte para sul, acabamos junto a uma ponte ferroviária, um pouco abaixo da estação de Canelas. Subindo para norte paralelamente à linha cedo encontramos o Percurso do Rio Jardim. Antes destes existe ainda um braço de água com uma pequena lagoa onde, nesta altura do ano, os peixes ficaram encurralados e as aves aproveitam para se banquetear. Com uma objectiva adequada e/ou binóculos é de todo aconselhável sentar-se à sombra de uma árvore e esperar! Não tarda temos imagens magnificas.

Ver localização do Percurso do Bocage

Aves a alimentar-se

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Amigos das Pasteleiras
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