Movimento Alternativo na ONBIKE

Esmaltina Fúria

Esmaltina Fúria

No outro dia telefona-me o amigo Carreiras, o impulsionador do Movimento Alternativo de bicicletas, a dizer-me ‘ouve lá, estás lindo na revista!’. O quê?
Parece que pelas palavras e objectiva de Hugo Boinga Cardoso o MA tem uma página na ONBIKE. E também parece que numa das fotos aparece precisamente esta beldade estendida numa toalha com o cesto de picnic ao lado! E a foto ao lado tem a minha Ross e a Esmaltina. Oh estou tão feliz!

Light Lane ou como ser visto na estrada

O que começou por ser uma ideia para um concurso transformou-se em algo que tantos aplaudiram que deu origem a um prototipo pela lightlanebike.
Basicamente é um pequeno modulo com lasers que criam uma ciclovia virtual em redor da bicicleta.
Lindo e quero um! (se fosse vendido… alguém de electrónica me faz um??)

Requalificação do Skate Park da Gafanha da Nazaré

Nem tudo são más noticias e esta é excelente. A câmara de Ílhavo resolveu que é altura de do skate park junto às piscinas da Gafanha da Nazaré receber uma remodelação.
Note-se que é um parque utilizado não só pela juventude local mas também pela juventude de Aveiro que dentro ou nas imediações da sua cidade nada lhe é oferecido. Ainda ontem vi rapaziada a usar um palco que esteve montado por uns dias como rampa para os seus saltos. Cada um safa-se como pode.
São 22.500€ que terão um fim feliz como tudo indica. Não é a mesma coisa que um bike park mas também é usado pelas bicicletas. Um bem haja à câmara de Ílhavo.

Cultura automóvel

E o que é que se via ontem, Domingo, dia de calor, pelas ruas de Aveiro? Aquela cidade que tanto se orgulha de ostentar a Buga como feito maior no que a mobilidade diz respeito, aquela cidade que grita a plenos pulmões que tem em curso o projecto LifeCycle, aquela cidade que tanto faz pela bicicleta?
A resposta é: carros! Muitos carrinhos Smart para test drive estacionados em frente ao Mercado Manuel Firmino, em zona pedonal, encostados ao ponto de entrega das Buga que ficou remetido para segundo plano. Aliás, tanto estes como a fila de carros normais estacionados junto à ria impedia a livre circulação de pessoas e bicicletas. Infelizmente não tinha comigo máquina fotográfica para testemunhar graficamente este espectáculo degradante.
O que isto quer dizer? É só preciso pagar a quantia certa ou acenar o lenço certo para que a prioridade deixe de ser as pessoas e bicicletas para no seu lugar serem implantados monstros de metal com meninas vestidas como as das estradas ali ao lado.
Como se não bastasse o caminho de terra batida do jardim mais à frente, junto ao monumento oferecido pela Federação Galega de Bandas de Gaitas ao Município de Aveiro, foi transformado em estacionamento. Com certeza que, quem ofereceu o monumento, ficaria muito contente. Depois vem os políticos clamar mais uma vez que a bicicleta é o futuro! E a gente acredita.

Restaurar bicicleta pasteleira antiga

Como não vejo televisão só hoje soube da reportagem SIC sobre uma oficina de reparação de bicicletas antigas. Muito bem, estamos a evoluir. No entanto a reportagem não foi muito bem conseguida. Escolheram um artista daqueles que faz preços de amigo por trabalhos duvidosos. Não que a bicicleta não fique a andar. Fica! As peças, cores, traços é que tem pouco a ver com a originalidade da época. Interessa lá bem que o homem mexa em ferramentas desde pequeno. Os 400€ da reportagem podem ser justificados pelo preço dos cromados e mão de obra mas nunca pelo trabalho de restauro realizado. Por isso é que digo que não faço restauros, apenas coloco em andamento.
Depois também houve uma falha do jornalista que, como é normal, falam das coisas sem as estudar primeiro. Chama-lhes bicicletas rudimentares. Meu caro jornalista, se por ventura algum dia leres isto, rudimentares são as bicicletas de alumínio com peças de plástico compradas nos supermercados. Clássico não é sinónimo de rudimentar.
Agora só me falta encher de coragem e abrir a minha loja, coisa que se calhar já devia ter feito! Pode-se seguir a discussão sobre este assunto no Amigos das Pasteleiras

Mamar prestações de desemprego

Estou desempregado faz agora perto de sete meses. Recebi notificação para me apresentar no IEFP ontem. Pensei que me iriam questionar acerca do meu esforço para encontrar emprego, verificar documentação e talvez apresentar propostas de emprego. Chegado ao local, verifiquei que muitas pessoas estavam para o mesmo, exactamente à mesma hora pelo que fiquei a saber, depois de questionar o segurança, que seria em grupo. Assim foi.
A técnica começou por apresentar algumas propostas de emprego, depois de atender individualmente uma pessoa que teve a excelente ideia de levar um bebé consigo. Como estou mais ou menos encaminhado no que a emprego diz respeito, as propostas não me interessaram muito nem à maior parte dos presentes na sala. Às tantas surgiu a duvida se, depois de terminado o subsidio de desemprego e recebendo o social, seria necessária a apresentação quinzenal. Uns queixavam-se que davam informação de uma maneira num lado e de outra noutro. Outros diziam que tinham que informar as pessoas correctamente dos seus direitos. Eu pensava… mas quais direitos? Queixam-se de barriga cheia. Palhaços, grávidas (note-se que o subsidio dura 6 meses), otários, meninas que não querem fazer nada a não ser pentear-se e passear-se, tudo a reclamar, tudo a querer estar em casa a coça-los e receber dos cofres do estado. Perante a informação de que o subsidio social este ano é prolongado por mais seis meses, uma pessoa logo teve que intervir afirmando que ele há coincidências. Seja por que motivo for, não existem queixas a fazer, não é um direito, é uma ajuda e cabe aos ajudados estar atentos, o interesse é nosso! Pessoalmente posso dizer que durante este tempo, sem essa ajuda, estaria completamente lixado.
Bem, entretanto pensei em tirar uma duvida mas rapidamente fui interrompido por uma pessoa que perguntou se poderiam ir embora o que, perante uma resposta afirmativa, originou uma debandada da manada que me interrompeu. A técnica também saiu. Esperei.
Entretanto uma miúda que já tinha estado a escutar na sala de espera com uma conversa daquelas de quem não quer fazer nada na vida, com a tal grávida, começa a falar ao telefone e diz que estava a olhar para uma carrada de pessoas com a mesma cara, tudo no mesmo barco não se sabe bem para onde. Respondi imediatamente em tons pouco amigáveis que cada um fala por si. Corou e sai da sala para esperar pela técnica para apresentar o resto da minha duvida.

Leituras

Ontem estava de volta das letras e achei uma certa piada à pilha de livros em cima da mesa. Três em seis livros são sobre bicicletas sendo que um deles até deu origem ao pequeno guia de enraiamento cruzado. Está-se a tornar um vicio preocupante!

Leituras

Leituras

Como raiar rodas – enraimento cruzado

Finalmente começo a perceber o enraiamento e depois de algumas leituras, erros de montagem e mais leituras sinto-me em condições de fazer um pequeno tutorial sobre enraiamento cruzado a 3. Afinal de contas não é difícil, basta estudar um pouco e seguir instruções. Assim que lhe apanhamos o jeito estamos não tarda nada a olhar para todas as bicicletas e pensar que tipo de enraiamento fica melhor em cada uma. Para este exemplo é utilizada uma roda de 36 furos. Não vamos tratar da escolha de tamanhos dos raios nem da afinação da roda, apenas do enraiamento. Este é o enraiamento mais comum.
Vamos começar por colocar o aro em cima da mesa e observar a sua construção. Os furos onde entram os raios não estão em linha, são feitos com uma ligeira deslocação quer para a esquerda quer para a direita do centro do aro. Se for difícil observar isto do lado de fora do aro, é normalmente mais fácil percebe-lo olhando para o seu interior. Os furos do lado direito são para ligar os raios que saem do lado direito do cubo e os do lado esquerdo para ligar os que saem do outro lado. É importante não os misturar como já me aconteceu.

Furação à direita, vista de dentro da roda

Furação à direita, vista de dentro da roda


Exemplo de furação à esquerda, enraiada ontem, vista de dentro do aro

Exemplo de furação à esquerda, enraiada ontem

Com o aro pousado vamos assumir que o lado que fica para cima é o lado direito. Se for um aro traseiro assume-se que o lado direito é o lado da transmissão. De seguida procura-mos o furo à direita da válvula mais próximo de nós ou seja com offset (desvio) à direita. Conforme o tipo de furação este pode estar imediatamente a seguir ao buraco da válvula ou com um furo de intervalo.
Coloca-mos um raio num qualquer furo do cubo com a cabeça voltada para fora do cubo. Atenção a este pormenor de colocar a cabeça para fora. É a maneira mais fácil de começar a enraiar. Ligamos então este raio ao furo previamente escolhido e enroscamos a cabeça. Este vai ser o nosso raio mestre por assim dizer. Desta forma utilizamos o furo da válvula como referência e afastamos os raios desta zona de maneira a facilitar a introdução da bomba.

Raio Mestre - Furação à direita, vista da direita

Raio Mestre - Furação à direita, vista da direita

Agora coloca-mos mais um raio no cubo deixando um furo de intervalo e ligamos ao aro deixando três furos de intervalo. Cada raio que colocamos vai ligar obrigatoriamente a um furo com offset à direita. Se isso não acontecer algo está mal. Repetimos a operação até termos os 9 raios no sitio.

Raios da direita

Raios da direita

O cubo já se segura sozinho, vamos virar a roda e observar mais uma vez, agora o cubo. Cada furo não está perfeitamente alinhado com o furo do outro flanco do cubo mas sim entre cada dois furos do outro flanco. Se, no passo anterior o raio chave ou raio mestre ficou imediatamente à direita do buraco de válvula (ou seja, com a roda virada ao contrário imediatamente à esquerda), colocar um raio no furo do cubo que alinha imediatamente à esquerda do furo do raio mestre e liga-lo ao furo do aro imediatamente à esquerda do raio mestre. Se o raio mestre estiver separado do furo da válvula por um furo de raio então colocar um raio no furo do cubo que alinha imediatamente à direita do raio mestre e liga-lo ao furo entre a válvula e o raio mestre. Se estiver bem feito estes dois raios não se cruzam. Estes raios também vão ser colocados com a cabeça para fora.

Primeiro raio esquerda, vista da direita

Primeiro raio esquerda, vista da direita

Repetir a operação para os nove raios à semelhança do lado direito. Preferi não dar o efeito de rodagem às ilustrações visto que quando estamos a montar a roda esse efeito só se vai notar na etapa seguinte. Acabámos de colocar os raios que vão transmitir potencia à roda quando pedalamos ou melhor, que vão estar sujeitos a forças maiores pois no fim todos contam para transmitir força. Estes raios estão num sentido oposto ao de rotação do cubo.

Trainling Spokes

Trainling Spokes

Agora vira-mos outra vez a roda para o lado direito e colocamos um raio num furo qualquer do cubo mas agora com a cabeça para dentro e rodamos o cubo no sentido do ponteiro dos relógios. Como estamos a fazer uma montagem cruzada a três, este raio vai cruzar três raios instalados anteriormente e passar por baixo do ultimo desses três. Liga-lo ao furo livre que corresponde ao flanco em que estamos a trabalhar. Ou seja, estamos no direito, de entre os dois furos livres escolher o que está mais à direita, normalmente o segundo.
Repetir a operação para os restantes raios dos dois lados da roda. Pode-se cruzar a 2 ou 4 apenas mudando o tamanho do raio a usar.

Primeiro raio leading

Primeiro raio leading

Por fim apertar todas as cabeças na mesma medida e está pronta para a afinação!
Baseado em:
-Sheldon Brown (usando muitas traduções directas)
-Glenn’s Complete Bicycle Manual

A moda dos ginásios

Carta Homes Place

Carta Homes Place

Recebi por estes dias uma publicidade na caixa de correio em jeito de carta do Holmes Palace ou Holmes Place ou o raio, que oferece uma semana de utilização gratuita. Quase que passaria por mais uma não fosse o formato pouco usar e pus-me a ler aquilo. E não é que aquilo, o Holmes Palace é mesmo bom, mesmo mesmo! Senão vejamos, segundo a publicidade é um ‘polo de bem estar’, ‘tem como objectivo promover a saúde e o bem-estar dos nossos sócios e comunidade local’ , ‘pode deixar as más emoções do seu dia’ e ainda mandam ‘saudáveis cumprimentos’! Excelente!
Eu é que me fiquei a interrogar como é que praticar desporto num local fechado com aquela maquinaria toda pode aliviar as más emoções do dia a dia a alguém! Um ginásio, para mim, serve objectivos muito específicos e querer transformar aquele espaço num ‘polo de bem estar’ é roubar pessoas à rua, que as tem já em numero tão reduzido. Ai querem bem estar? Que tal uma corrida à beira mar (visto que estamos a falar do Holmes Palace de Aveiro)? Que tal aproveitar os parques verdes que existem? Naaaa.. só se pagarmos é que relaxamos. Ainda mais giro são os que pagam para não aparecer! Já desde que morava em Coimbra e lá abriu este estabelecimento que não gostei das estratégias do mesmo.
Eu até era para não escrever nada sobre isto mas não é que ontem telefonam-me de lá. Onde é que foram buscar o meu número? Enfim. A tal carta tem ainda outro pormenor delicioso: uma fotografia que suponho de uma tal Helena Marques. Até aqui nada de estranho. Agora a aparência de pouca saúde e sem sorriso desta pessoa é que não combina muito bem com o texto enviado. Mas isso sou eu que não percebo nada de marketing.

Fotografia tipo passe ampliada

Fotografia tipo passe ampliada

Isto fez-me lembrar outro panfleto que oferece Fitness em 30 minutos. É tipo eu a dormir à pressa!

Gosto muito de greves

A maior parte dos acontecimentos sociais passa-me ao lado. Não é de estranhar que tenha ido de Aveiro a Coimbra para me dirigir à secretaria do ISEC sem fazer a mínima ideia de que os professores do ensino superior iriam fazer greve. Provavelmente até poderia saber mas não imaginava que teriam a atitude ridícula e desprestigiante que tiveram.
Quando cheguei às imediações das instalações daquela instituição e vi que algo de anormal se passava pensei para comigo ‘bem, só quero ir à secretaria, não deve haver problema’. Pois bem me enganei. Os portões estavam fechados a cadeado! Dirigi-me ao portão de entrada junto da cantiga pois parece que era ai que estavam os professores-porteiros perguntei se podia ir à secretaria, pergunta à qual recebi um seco e altivo não. Saltou-me imediatamente a tampa! Ninguém perguntou porquê, se tinha urgência, de onde vinha. Lá expliquei estes factos todos e a resposta continuou a ser não! Outros alunos queriam entrar para usarem o estabelecimento de ensino e não lhe foi permitido esse acesso como se os professores tivessem autoridade para isso.
Estou desempregado e precisava de um documento da secretaria para começar uma actividade (espero eu) e nem assim os ditos professores se moveram. Perdi toda a razão e vi-me a exclamar ‘filhos da puta, querem sempre mais’. Afastei-me, dei algumas voltas sobre mim mesmo como um cão desorientado, acalmei-me e fiquei a observar. Vi professores que nunca pensei ver neste tipo de atitude de quem não tem formação cívica. Exemplos são a professora Deolinda Maria Lopes Dias Rasteiro ou o professor Nelson Luís Pincho, entre mais alguns que tinha em boa conta. Outros é perfeitamente natural encontra-los no monte, principalmente aqueles que apenas lêem apresentações nas aulas ou estão constantemente a mandar calar ao mínimo cair de caneta para mostrar a sua superioridade. Entretanto vi um professor que não sei o nome mas que me deu Programação 3 se não estou em erro e resolvi ir falar com ele pois, pelo que me lembro, seria uma pessoa calma e com quem se pode ter uma conversa. Expliquei a minha situação ao que se mostrou muito receptivo, diria até com vontade de a resolver e parece-me que se fosse ele o professor-porteiro eu teria entrado. No entanto nada fez para influenciar as bestas-professores-porteiros junto do outro portão. Agradeço na mesma a pequena conversa civilizada no meio de tanta mostra de falta de respeito para com os outros cidadãos.
É de falta de respeito que se trata. Um professor dá (vende) aulas. Se o professor dá aulas então quando faz uma greve é a sua função, a de leccionar, que fica interrompida como é lógico. Um professor não trabalha na secretaria ou mesmo que trabalhe não tem ai o estatuto de professor. Um professor não é bibliotecário. Então, porque carga de água um professor do ensino superior, supostamente a elite de pensamento da nossa sociedade, em quem depositamos a confiança para formar o futuro do pais, ousa fechar uma instituição de ensino forçando à greve aqueles que não a querem fazer e influenciando negativamente a vida daqueles que dependem dos serviços dessa instituição. É ridículo! Não me interessa o motivo da greve, nem tão pouco quero saber se tem razão ou não. Podem perfeitamente ter. O que não podem é usar outros cidadãos como objecto de chantagem ao governo.
A imagem dos professores perante a sociedade já não é famosa, visto a quantidade diminuta de bons professores, mas parece que gostam de mexer no lodo.
Quanto ao meu caso, na altura com os nervos não me lembrei de chamar a policia. Seria provavelmente o melhor a fazer e a atitude mais racional. Tive que me consolar, voltar para Aveiro e regressar a Coimbra no dia a seguir com todas as consequências negativas que isso pode ter para o meu eventual novo posto de trabalho.
Viva os professores! Viva a instituição do queixume!

Depois de escrever esta entrada leio uma noticia que faz referência ao fecho simbólico do ISEC e à permissão de entrada de alunos.

De acordo com João Louceiro, do SPRC, entre os professores que saíram hoje de Coimbra para o protesto encontravam-se docentes do ensino superior politécnico e também da Universidade.

Ao longo do “fecho simbólico” do ISEC, foi permitida a entrada de funcionários e de alunos que pretendiam, por exemplo, aceder à cantina – adiantou.

Fonte

Ora o que me aconteceu não foi lá muito simbólico.

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