No sábado passado sai de casa sem ter estudado um trilho para caminhar ou sem saber sequer se iria caminhar. Como se diz o importante é partir. Sabia que ali para os montes, para os lados de Arcozelo das Maias. Acabei por encontrar uma placa indicativa de um trilho lindo junto ao rio Gaia, talvez mais conhecido por rio Mau, logo a seguir à ponte do Gaia… não que precise de placas. Fiz apenas alguns metros, a minha companhia não ia preparada para caminhar mas deu para perceber que é um percurso cheio de belezas naturais rodeado por moinhos antigos. Um deles parecia recuperado de maneira a funcionar mas o canal da à gua estava bloqueado. No entanto este percurso não tem as marcações tÃpicas de um PR, é sim promovido pela ADDLAP integrado no projecto WaterWaysNet com placas próprias indicando a distância percorrida mas sem indicação de distância total. Agora sei que é um percurso de interpretação ambiental de apenas 2km.
Infelizmente o percurso tinha restos de maratonas de BTT. Os organizadores deviam ser castigados quando deixam vestÃgios da prova na natureza.

Fitas queimadas pelo sol

Folhas informativas abandonadas
Ao todo são 6 percursos que se advinham de beleza Ãmpar e do melhor que esta região tem para oferecer em termos paisagÃsticos. Fica prometida uma visita mais demorada.
Ainda dei um pulo a Couto de Esteves ver um amigo. Uma zona próxima de igual beleza. A conversa tocou num assunto critico: zonas como esta vão desaparecer com a construção prometida de um barragem. Às gentes locais pouco importa pois crescidos e vividos no mesmo local a maior parte não dá o devido valor ao património natural que possui.
Com certeza já muitos ouviram falar no programa Life Cycle da CM Aveiro. Este programa apela à utilização da bicicleta nas deslocações mais habituais. Sobre o programa já muito está escrito, pelo menos positivamente Nós aqui vamos só olhar com atenção para o cartaz:

Não está nada errado? Não? Olhem novamente. Será que no meio dos não sei quantos mil euros (sim porque um programa só tem hipóteses de ser aprovado se tiver vários zeros associados) não havia dinheiro para tirar uma fotografia a alguém que EFECTIVAMENTE estivesse a usar aquela ciclovia? Aquilo é uma montagem de uma personagem a andar de bicicleta ninguém sabe onde, colada em cima de uma fotografia da ciclovia. Não me parece muito motivador mas pode ser que seja só de mim. Estou ansioso para ver o que tantos zeros vão fazer pela utilização da bicicleta. Ou quantas pessoas se lembram dos tais não sei quantos mil euros daqui a alguns meses
Um colega deixou-me em casa uma Scale 30 para lhe dar um jeito e pôs-me à vontade para andar nela. Bom colega, diriam alguns! Assim sendo fui dar uma volta de diagnóstico. A Scott Scale 30 é uma bicicleta feita em fibra de carbono, super leve vocacionada para Cross Country. De qualquer forma os percursos de BTT em Aveiro são bastante planos, a bicicleta joga em casa!
Habituado à minha bicicleta com 150mm de suspensão traseira e 160mm frontal os primeiros metros não poderiam deixar de ser estranhos mas nota-se logo que não existem vibrações estranhas a percorrer o corpo da bicicleta. Não sei porquê mas não gostei nada da suspensão FOX F100 RL. Pareceu-me uma forqueta rÃgida bastante cara mas como pode ser de estar habituado a suspensões com SAG generoso e eu ser mais leve que o meu colega não me vou pronunciar muito sobre isso. Até me parece que a suspensão precisa é de uma boa revisão.
Para começar bem gravei logo os dentes da cremalheira na perna por causa de uma pequena pedra.
A pedalada numa bicicleta rÃgida é realmente outra coisa mas o desconforto ao mais pequeno buraco enerva um bocado. A minha ideia inicial seria fazer o mesmo percurso que faço com a FS e comparar os tempos mas as coisas não correram como planeei. Para começar uma posição de condução diferente exercita os músculos de forma diferente e não demorou muito até sentir as pernas presas.

Geometria Scale Scott 30

Geometria Mondraker Foxy R 2006
No entanto assim que cheguei ao alcatrão a coisa mudou de figura. Atingir valores acima dos 40kms/h é num piscar de olhos enquanto que na FS atingir os 30 já é uma sorte. Mas foi quando apareceram as subidas que a bicicleta mais se revelou e é realmente uma satisfação sentir cada pedalada a ser transmitida para o terreno.
Pelos vistos o meu colega tinha as mudanças mais leves um bocado para o desafinadas ( que já agora foram uma dor de cabeça para afinal, acho que o desviador está empenado… queda? E o facto de ser Shimano também não ajuda), acabei por decidir abandonar os trilhos e percorrer os caminhos que me iriam dar mais gozo: estradões e alcatrão.
Acabei por fazer menos de 40kms e, para minha surpresa, o fundo das costas não me doeu tanto como eu pensaria. Ou a Scott sabe o que faz ou tive sorte.
Ainda deu para incluir uma paragem para a foto mas desculpem a qualidade da mesma:

Scott Scale 30
Por fim um dos pormenores que menos gosto na Scott em geral é a testa do quadro demasiado nua. O head badge no caso da Scott é apenas um desenho pintado. Pode não ter importância nenhuma mas é uma mania que tenho, gosto de ver a testa da bicicleta bonita. A minha bicicleta também não tem nada de especial na testa, apenas um M, ao menos já não é só pintado directamente no quadro. Mas existem algumas marcas com muito bom gosto como o caso da Singulare da Yeti. Pelo dinheiro que custa caia bem algo mais refinado.

Singular Head Badge

Yeti Head Badge

Scott Head Badge

Existem malucos para tudo. Mas eu a modos que gosto de gente maluca. Assim sendo acho esta ideia fantástica ainda por cima com o espÃrito que carrega.
A ideia é atravessar Portugal de norte a sul num skate ou melhor de longboard ou longskate. O percurso deste ano é pelo interior do paÃs levando esta modalidade aos jovens que menos acesso a informação tem. Porque quer queiramos quer não ainda existe muita diferença cultural do litoral para o interior. Mais não digo, não quero tirar o mérito a quem o tem, só quero partilhar a iniciativa. Para saber mais é consultar o site Portugal de Skate e o espaço blogspot Portugal de Skate
Já aqui falei de válvulas presta mas é provável que exista quem não saiba as diferenças entre umas e outras ou os seus nomes. Por isso mesmo lembrei-me de tirar umas fotos e dizer um ou duas coisas sobre este assunto.
Talvez a válvula mais comum seja a Schrader ou muitas vezes chamada de pipo grosso para simplificar. É a utilizada nos automóveis, motas e em muitas bicicletas. Uma grande vantagem é que o pneu com este tipo de válvula pode ser enchido em qualquer posto de abastecimento com compressor.

Válvula Schrader
A válvula Presta ou pipo fino, é mais estreita do que a anterior e mais usada em bicicletas de corrida pois esta aguenta pressões maiores do que a Schrader. Para encher pneus com esta válvula é preciso desenroscar a agulha, que impede o ar de sair, antes de colocar a bomba. Não pode ser enchida nos postos de abastecimento a menos que se use um adaptador. Estas são mais frágeis por serem mais finas e podem partir quando usamos bombas de mão. É preciso ter atenção que o buraco no aro para estas válvulas é mais pequeno, se por engano comprarmos outro tipo de câmara não vai passar.

Válvula Presta
Existe ainda um outro tipo de válvula usado em bicicletas clássicas: a válvula de camisa. Não sei se tem um outro nome mais correcto mas é por este que a conheço ou pelo menos pelo qual ouço as pessoas mais velhas chamarem. Penso que é chamada assim porque tem uma camisa de borracha em torno da agulha que impede o ar de sair mas permite a sua entrada. As bombas que dão ar a válvulas Presta também funcionam com este tipo mas é mais normal ver-mos bombas de rosca com um pequeno tubo, muito vistas em cromado nas bicicletas Pasteleiras e outro tipo de bicicleta antiga. Assim que possa coloco fotos destas bombas e do interior da válvula.

Válvula de Camisa

Partida
Acabei por ir a este passeio na ultima da hora em substituição de uma pessoa que não foi. Como sempre ando distraÃdo em relação a eventos organizados e nem tinha conhecimento deste aqui tão perto.
Mas para dizer a verdade, ainda bem que fui. O pessoal da organização foi excelente, o caminho escolhido foi bem bom com muita coisa à mistura: single tracks, estradão, descidas e subidas q.b, riachos (200 metros dentro de um até, com um velho moinho logo à entrada). Uma pequena peripécia: um caminho passava entre dois muros e o meu guiador não cabia, estava a ver que já nem para a frente nem para traz. A comida estava à disposição em quantidade generosa, marcações bem feitas e um dia de sol bonito apesar de algum vento pela manhã. Optei por não levar máquina fotográfica para o percurso portanto as fotos são escassas mas no blog dos cagaréus e no forum btt já estão bastantes. É importante referir: uma pessoa construiu uma pequena ponte de madeira propositadamente para os ciclistas passarem.
O BTT ALbergaria está de parabéns! Ah e verdade seja dita, aquela pessoal tem uma certa piada:

A malta do Pasteleira Club do Alentejo anda bastante empenhada no seu I Encontro de Bicicletas Clássicas do Alentejo. Vai ser no dia 16 de Maio em Évora pelas 10 horas. Dizem que promete ser uma actividade interessante, de bom convÃvio e disposição.
Programa Provisório do 1º Encontro de Bicicletas do Alentejo:
10h- Concentração junto ao Templo Romano.
10h20- Levantamento de nºs de identificação do participante e do veÃculo no secretariado.
10h.30- Fotografia de época junto ao Templo Romano.
11h- Passeio pelas ruas da cidade de Évora.
12h45- Almoço-convÃvio no Monte Alentejano no Rossio (responsabilidade dos participantes).
14h- Actuações de variedades (a definir).
14h30- Exposição das bicicletas dos participantes em frente ao Monte Alentejano.
16h- Entrega de Lembranças e encerramento informal da actividade.
21h30- Projecção de filme (a definir) sobre a temática no Cineclub (encerramento oficial).
Fica um bocadinho longe para mim mas para quem puder e gostar ao menos de olhar para uma bicicleta antiga, é de dar um saltinho.

Encontro Pasteleiras Alentejo
A ideia não está má, até já tinha pensado em algo parecido. Esta bicicleta sem selim com pedaleira no eixo traseiro é interessante. Esteticamente também não está mal conseguida. Com umas adaptações, por exemplo um guiador ao nÃvel do peito, a Erectus Bike seria um meio de transporte excelente em cidades mais ou menos planas ou entre edifÃcios. Quanto à utilização todo o terreno, só experimentando mas deve cansar um bocado.

Erectus Bike
Depois de ter partido uma válvula preta de uma câmara Slime nova comecei a pensar numa maneira de aproveitar o liquido anti furo e coloca-lo numa câmara mais barata das que andam cá por casa a pontapé com pequenos furos.
Como a necessidade aguça o engenho, vá de inventar!
- Espremer a câmara estragada de maneira a aproveitar o máximo de liquido que lá ficou dentro.
- Abrir caminho na válvula presta:
- Atar um fio à agulha da válvula para evitar que a agulha se perca dentro da câmara de ar.
- Segurar a agulha com um alicate pequeno.
- Com outro alicate desenroscar a ponta da agulha, pode ser preciso forçar um pouco.
- Encher qualquer coisa que dê para enfiar a ponta dentro da válvula. No meu caso só tinha uma seringa à mão. Serviu mas não foi o ideal. Bom seria um frasco com um ponta fininha, com o liquido anti furo lá dentro.

Anti furo Slime
- Encher a câmara com paciência e cuidado. Atei a agulha com um fio normal de costura mas ia correndo mal. Para a próxima atar com um fio mais resistente.

Válvula Presta
- Voltar a colocar a rosca na agulha seguindo os passos inversos
Se funcionou? Só o tempo o dirá mas penso que pelo menos o pequeno furo foi tapado.