Feira de Velharias Aveiro

Hoje foi dia de feira! Fico sempre em pulgas para ir à feira de velharias. Não que vá comprar velharias nos dias que correm (a menos que tenha que perder a cabeça) mas é sempre agradável dar uma volta!
Vou acima de tudo atento a bicicletas e peças que possam surgir. Hoje não vi mais que uns selins, uma bicicleta Orbita para ai dos anos 80 e as já habituais lâmpadas de carbureto. Aparece um pouco de tudo e quem quiser comprar velharias em Aveiro já sabe onde ir.
Por um lado ainda bem que não tenho casa para encher de tralha, não gasto dinheiro. Por outro fico sempre com uma pena imensa de não trazer algumas peças. Na casa da minha mãe tenho um pequeno monte de tralha que não sei bem para que serve. Um dia servirá. Hoje fiquei especialmente encantado com um pequeno baú em azulejo e algumas estátuas que ficariam bem num jardim cuidado.
Mas o que me mais me encheu a vista foi outra coisa: um corpo Voigtlander Bessa L novo e embalado! Pediam 350€ por ele. Ser pobre é uma treta!!

Todo empenado, parte 2 e 3

Cleats ajustados, atitude positiva e lá fui eu experimentar o arranjinho. Acabei por decidir percorrer o estradão paralelo à ria para sul, direito a Vagos. É um passeio bonito e agradável sem qualquer dificuldade e vai tendo umas pequenas lombas para brincar.
A principio senti-me bastante confortável, estava a utilizar uma  cadencia elevada para aproveitar os pequenos saltos da estrada e o joelho portava-se lindamente! Na Vagueira subi um pouco o selim, a estrada torna-se mais plana e queria imprimir um andamento mais forte. Nesta posição notei alguma comichão no joelho que não chegava a ser dor e em parte atribui isso á falta de habituação dos músculos aquela posição. A verdade é que cheguei à Gafanha do Areão muito contente, tão contente que perdi um tempinho a treinar os cavalinhos e éguas com mudança de direcção e outras avarias, devo confessar que sou um tanto ou quanto nabo nesse aspecto, até ir com o rabo ao chão!
Acabou-se a brincadeira e entrei no alcatrão. Entusiasmei-me e as coisas começaram a correr mal. O joelho não aguentou. Não deveria ter abusado tanto. Ah, perdi um parafuso de um cleat! Tinha aquilo bastante mal apertado. O regresso a Aveiro foi bastante penoso e só me condenava  a mim mesmo por não ter parado quando devia, arruinei o trabalho de descanso prévio.
Sou daquelas pessoas que tenta a todo o custo evitar hospitais. Por já ter lá passado algum tempo, pelo tempo de espera e por não confiar nos mesmos. Quando realmente preciso vou, sempre que possível, a Coimbra, ao hospital dos covões.
Nos últimos dias, por causa do joelho e por não haver orçamento para ir a Coimbra, resolvi tentar a minha sorte no hospital de Aveiro. Sim, infelizmente é preciso sorte. Ainda estava na minha memoria o episódio de ter sido atendido por uma médica estrangeira com unhas compridas pintadas de vermelho, obesa, facilmente confundida com uma prostitua reles. Dessa vez a única coisa que percebi foi “tem que ir ao médico de família”. Também tenho presente na memória a carta que recebi deste mesmo hospital indicando duas taxas moderados por pagar quando uma delas estava paga e a outra não paguei… porque o meu cartão tinha dados incorrectos! A carta deve ter sido queimada.
Surpreendentemente não demorou muito até ser visto por um ortopedista. Quando me chamaram entrei no gabinete e fiquei de pé sem saber muito bem que fazer, ninguém me ligava nenhuma. O cenário era o seguinte: um médico à secretaria, outro na cadeira do paciente e outro encostado à parede. Conversavam. Outra pessoa perguntou-me o que é que eu queria. Respondi que me tinham chamado. Mais um pouco a olhar para o cenário e lá me perguntaram o que é que tinha. Expliquei tudo desde o principio incluindo a afinação dos cleats. No fim o suposto doutor com a maior cara de estúpido pergunta: então e depois? Respondo: depois vim aqui!! A minha vontade era já de fazer uma cena e não seria a primeira vez que o faria. Mandou-me deitar para analisar e acabou por me dizer que não me dói onde eu digo que dói mas noutro sitio. Então mas eu sou um velhinho entrevado que não sei onde me dói? Lá insisti que estava ali algo inchado e a resposta do senhor doutor: Temos direito a ser diferentes! Disse-me ainda que eu tinha uma sobrecarga nos joelhos… ora ai está uma novidade do caraças, vale a pena ir ao hospital, sim senhores! Que eu tinha que ir ao médico de família para fazer um TAC ao joelho, que ali não tinham TAC e depois ir a uma consulta (um estádio compraria quantas máquinas de TAC mesmo?). Ora com certeza que se eu lhe pagasse 75€ por uma consulta o atendimento seria bem diferente. O que ele queria ouvir era isso… que eu lhe pergunta-se onde ir à consulta. Receitou-me uns comprimidos que não vou tomar porque não me explicou para que servem.
Agora vou ver se consigo a credencial para o TAC na médica de família que está a 100kms de distancia. Na melhor das hipóteses só dia 6. Isto deveria ser um problema visto na hora. Até dia 6 melhoro consideravelmente. Depois disso procurar um ortopedista, mesmo estando eu sem um centavo para gastar. Isto é o que recebemos pelos descontos que fazemos do ordenado.
Agora comparem com a experiência de um estudante erasmus… assumindo que alguém vai ler  o que escrevi!

PR5 – Caminho de S. Miguel do Mato – Vouzela

Um percurso pequeno, fácil e bonito. São 7kms circulares onde se pode ficar muito mais tempo do que em percursos mais longos, não fosse esta zona toda muito bonita.
Encontrar a Junta de Freguesia de S. Miguel do Mato foi mais complicado do que eu pensava apesar da informação da Câmara Municipal de Vouzela. Vale sempre a indicação das pessoas do campo, por norma simpáticas. Este edifício é uma antiga estação da linha do Vouga já aqui falada. Felizmente foi aproveitado para outro fim e não deixado ao abandono. E é através dessa linha que se desenrola a maior parte do percurso. Até à encruzilhada que dá para a antiga Igreja Paroquial de S.Miguel do Mato vai-se observando fauna, flora e os vestígios do que foi em tempos uma importante linha de ferro. A paisagem lembra por vezes mini desfiladeiros. Convida a caminhar devagar e apreciar cada pedra.
A igreja abandonada, a cair e sem sinais de recuperação é extremamente bonita. Pode-se subir à torre e contemplar toda a paisagem em redor. Ao lado tem um cemitério, para mim bonito, tenho uma certa simpatia com estes lugares e em conjunto com a igreja foi onde passeio a maior parte do tempo a explorar, ler lápides antigas, imaginar.
Voltando à encruzilhada continuamos na linha por mais um bocado até surgir um corte à esquerda que nos vai levar à capela do Senhor da Agonia. Uma capelinha meio incorporada na pedra que merece alguns minutos de atenção.
Seguindo o trilho passamos pelo recinto das festas, nota negativa para algum lixo espalhado. Depressa nos esquecemos desse cenário com a beleza do que se aproxima, principalmente se fizermos este trilho ao cair da folha! Infelizmente um ou outro monte de lixo estraga o quadro.
Chegamos à povoação onde casas típicas da região recuperadas ou não nos dão as boas vindas. E depressa estamos novamente no ponto de partida.
Resumindo, um passeio altamente recomendável! Tirei fotos mas acho que me esqueci de revelar, tenho que encontrar o rolo!

Localização do PR5 Caminho de S. Miguel do Mato – Vouzela
Folheto PR5 Caminho de S. Miguel do Mato

Todo empenado.

Quando os montei os cleats cheguei-os totalmente para a frente, mais ou menos centrados e siga. Nunca tive dores. Mas no outro dia ao fazer Aveiro-Sernada-eólica e por ai fora apercebo-me  que na subida para a eólica o joelho direito me ia a doer do lado exterior. Ora a mim parece-me uma dor na extremidade superior da fíbula. A verdade é que tenho descansado, em duas semanas andei uns 10 minutos de bicicleta e só ontem fiz um passeio muito lento e a dor está lá! Será culpa dos cleats ou lesão devido ao esforço? Já lhe dei um ajuste e vou experimentar a nova posição… aliás vou levar uma chave e dar um passeio amanhã para achar a melhor posição. Posso correr meia hora que não afecta significativamente a dor, só mesmo ao pedalar ou por-me de cócoras. Estou um tanto ou quanto frustrado com a situação, espero mesmo que se resolva com o arranjo dos cleats.

Já agora, para quem está fora do mundo das bicicletas: os cleats são umas pequenas peças de metal que estão aparafusadas aos sapatos. Estas peças encaixam no pedal de modo a aproveitar muito melhor a força exercida pelo ciclista e ter um melhor controlo sobre a bicicleta. Essa peça tem ajuste em dois eixos e rotação de modo a que o pé fique colocado na sua posição natural. O posiçionamento incorrecto dessa peça gera problemas a nivel do joelho pois força-o a uma rotação não natural.

Crise

Ultimamente, as conversas com os amigos e com os “amigos” acabam quase sempre por passar pela tal crise. E eu pergunto: enquanto se beber café todos os dias e fumar todos os dias, de que crise estamos a falar exactamente? Crise é quando compramos pão mais barato hoje porque não sabemos se temos dinheiro que chegue para o pão de amanhã. Issso é crise.

PR3 – Rota das Laranjeiras – Percursos pedestres de Sever do Vouga

E porque nem só de bicicletas vive o homem o domingo passado foi dia de caminhada. Ou trekking ou como lhe quiserem chamar. Já à algum tempo que andava curioso acerca do percurso que passa pela antiga linha do Vouguinha, pela ponte do Poço S. Tiago.
O PR3 – Rota das Laranjeiras começa junto à Igreja Matriz de Pessegueiro do Vouga. A partir dai escolhi subir. A localidade tem uma ou outra casinha engraçada arquitecturalmente falando mas nada de muito especial. A parte inicial do percurso não me despertou grande interesse: subidas e descidas constantes que vão ter à mesma estrada alcatroada e passagens pelo meio das casas sem nada de interessante a assinalar, tirando as respectivas capelas de cada monte e as vistas excelentes para o vale. A partir da capela de Sta. Quitéria segue-se por um caminho florestal que irá sair na antiga linha de comboio do Vouga.  Existe sempre uma constante bastante negativa: a floresta é composta na maior parte por eucaliptos. Mas ainda mais negativo foi encontrar lixo despejado no meio da floresta: móveis, electrodomésticos e peles de animais que outros animais puxaram para o caminho causando um cheiro nada agradável. A partir daqui é sempre a descer e é preciso algum cuidado para quem não estiver habituado, a descida chega a ter uma inclinação considerável.
Finalmente chegamos à antiga linha. O piso de alcatrão acelera o passo e mal damos por isso estamos na imponente ponte do poço de Santiago, uma das principais atracções deste percurso e provavelmente a maior ponte de pedra de Portugal. Uma paragem para apreciar os arredores e siga para a frente. Os eucaliptos começam a desaparecer da vista e outro tipo de vegetação mais agradável toma o seu lugar. É sempre engraçado passar pelos pequenos túneis do comboio e observar o tecto negro, lembrança dos anos dourados da máquina a carvão.
Mas agora existe outra coisa para onde voltar o olhar: castanheiros e os seus ouriços carregados de castanhas! Calhou um senhor que estava a passear por ali e mora por perto, meter conversa acerca da qualidade das castanhas, acerca daqueles terrenos e outros demais temas. Dai a pouco já eu tinha algumas castanhas na mochila e a minha companhia uns cogumelos na mão que nunca esperei encontrar por ali, iriam ser o meu jantar! Siga caminho. Convém referir que esta parte do caminho é extremamente plana, mais do que alcatrão e pintada de vermelho, uma verdadeira passadeira de caminhada. Ainda comi umas castanhas cruas que abriram apetite para um copinho de moscatel num café em frente à antiga fábrica de massas alimentícias depois da estação de Paradela.
Daqui segue-se por alcatrão e nem sempre com bermas para peões até à outra margem do rio Vouga. Dai começa a sucessão de caminhos entre quintais e terrenos agrícolas, caminhos e carreiros bastante agradáveis até. Por esta altura surge a ideia de repetir o caminho quando as laranjas estiverem maduras pois a paisagem com certeza será muito mais bonita.
Mal me dei conta já estava outra vez na igreja matriz e dei por concluída a jornada do dia. Foram cerca de três horas a descobrir este recanto do rio Vouga com 10kms. Pessoalmente mudaria algumas coisas no percurso, acho muito mais interessante ver mais dos recursos naturais da zona do que andar no alcatrão da aldeia.

Localização do PR3 Rota das Laranjeiras Sever do Vouga
Folheto do percurso: Rota das laranjeiras – pág. 1 ; Rota das laranjeiras – pág. 2

Amigos das Pasteleiras
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